Rússia planeia ataques com drones e mísseis contra aliados de Kiev
Os planos da Rússia para a guerra contra a Ucrânia incluem "ataques híbridos" com drones e mísseis contra os aliados de Kiev, alertou hoje o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, citando dados dos serviços de informação de Varsóvia.
"O plano russo, segundo as avaliações dos serviços de informação, inclui ataques híbridos com drones e mísseis contra países que apoiam a Ucrânia, incluindo a Polónia", afirmou o líder polaco num discurso no parlamento.
Na sua intervenção, o chefe do Governo avisou para "um risco real" de que drones russos "possam cair no território de um ou mais países na fronteira leste da NATO" e para a probabilidade de a "narrativa oficial" do Kremlin justificar "que se tratou de um acidente".
O objetivo da Rússia é "enfraquecer a coesão geral da NATO" e convencer os estados-membros de que o artigo 5.º do tratado da Aliança Atlântica sobre proteção mútua "é mais teórico do que prático", continuou Tusk.
O discurso do primeiro-ministro surge no dia em que milhares de alunos de várias escolas e funcionários de edifícios governamentais, incluindo a câmara municipal de Rzeszów, no leste do país, foram retirados no seguimento de um alerta de ataque aéreo russo junto da fronteira entre a Ucrânia e a Polónia, a apenas cerca de cem quilómetros desta cidade de 200 mil habitantes
De acordo com o Centro de Segurança do Governo, os residentes das províncias orientais de Lublin e Subcarpátia receberam uma mensagem nos seus telemóveis a alertá-los para um "ataque aéreo".
A mensagem pedia aos habitantes que "procurassem um local seguro e seguissem as instruções das autoridades", devido a um ataque com drones realizado pela Rússia perto da passagem fronteiriça de Dorohusk-Yahodyn.
No passado fim de semana, o alarme espalhou-se pela Polónia após vários ataques de drones russos no oeste da Ucrânia, a poucos quilómetros da fronteira.
Um drone atingiu um comboio e outro atingiu um posto de abastecimento de combustível perto da passagem fronteiriça de Dorohusk, que teve de ser evacuada.
Antes da sua intervenção no parlamento, o primeiro-ministro polaco já tinha responsabilizado a Rússia por ataques em grande escala muito perto da fronteira com a Polónia.
Ao receber o chanceler austríaco, Christian Stocker, o Tusk condenou "um ataque russo massivo e brutal" no oeste da Ucrânia, muito perto da fronteira com a Polónia e alertou para o risco de "ingenuidade" em relação a Moscovo.
O primeiro-ministro relatou que caças polacos realizaram "descolagens de emergência, como aconteceu há dois dias e ontem [quarta-feira] à noite", referindo-se às recentes missões de vigilância aérea ao longo da fronteira com a Ucrânia.
Pouco antes do seu encontro com o chanceler austríaco, o chefe do Governo polaco divulgou um vídeo na rede X alusivo ao 87.º aniversário da invasão soviética da Polónia em 1939, referindo-se porém à ameaça atual da Rússia: "Não procuramos a guerra, mas se alguém a iniciar, saberemos como nos defender", declarou.
Tusk defendeu que a segurança deve ser a prioridade absoluta no orçamento da União Europeia para o período 2028-2034 e declarou a intenção de preparar o seu país e torná-lo num contribuinte líquido para enfrentar esta ameaça.
O primeiro-ministro polaco tem viagem marcada para a Ucrânia na sexta-feira.
A Polónia, membro da NATO e da União Europeia, faz fronteira com a Ucrânia, a Bielorrússia (aliada de Moscovo) e o enclave russo de Kaliningrado.
A diplomacia de Varsóvia tem acusado Moscovo de "sabotagem" em várias ocasiões desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e acolheu mais de um milhão de refugiados ucranianos.
O seu território é a principal via de trânsito de ajuda militar e humanitária ocidental à Ucrânia.