Senado dos EUA avança com novas sanções contra a Rússia após visita de Zelensky

Senado dos EUA avança com novas sanções contra a Rússia após visita de Zelensky

O Senado norte-americano deu esta terça-feira os primeiros passos para aprovar um vasto projeto de sanções contra a Rússia, coincidindo com a visita do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao país.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Olivier Douliery - AFP

A legislação visa penalizar países que continuem a comprar petróleo, gás e outras exportações russas, após mais de um ano de negociações.

A votação processual, bipartidária, terminou com 86 votos a favor e 12 contra, poucas horas depois do funeral do senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, principal negociador da proposta.

Zelensky, que esteve em Washington para assistir às cerimónias fúnebres, reuniu-se antes com senadores e afirmou que a Ucrânia está a obter avanços na guerra contra a Rússia, mas continua a precisar de mais apoio dos Estados Unidos.

O Presidente ucraniano deslocou-se depois à galeria do Senado para assistir à votação, acenando em sinal de apoio. "Esta legislação é importante como sinal moral para um país cansado, mas que resiste contra a Rússia", disse o senador republicano Todd Young, de Indiana.

"Discutimos muitos temas, em primeiro lugar a defesa anti-balística. Foi uma honra estar presente quando os votos foram contados. Este é o primeiro passo para implementar os planos de Lindsey e certamente um passo em direção à paz", escreveu Zelensky numa publicação na rede social X.

Graham e o senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, anunciaram a 10 de julho um acordo com a Casa Branca sobre o projeto de sanções, um dia antes da morte súbita de Graham alegadamente devido a uma rotura da aorta.

Blumenthal recordou que Graham lhe disse tratar-se de "um grande acordo" na última conversa que tiveram.

A proposta prevê que o Presidente possa impor tarifas aos cinco maiores compradores de petróleo e gás natural russos - com a China e a Índia no topo da lista - e inclui sanções contra o líder da Rússia, Vladimir Putin, dirigentes políticos e militares russos, instituições financeiras e projetos energéticos.

O texto também alarga sanções a petroleiros antigos em utilização com novas bandeiras, usados por Moscovo para contornar restrições já existentes.

O projeto concede ainda ao Presidente autoridade para suspender sanções se considerar que tal corresponde ao interesse nacional, e acrescenta a extensão de certas medidas contra o Irão, a pedido de Donald Trump.

Alguns democratas manifestaram reservas quanto aos poderes tarifários concedidos ao Presidente.

"É extremamente perigoso dar a Trump novos poderes tarifários massivos, depois de vermos os impactos desastrosos da sua política caótica e inflacionista", disse o senador Ron Wyden, do Oregon.

Apesar das divergências, Blumenthal sublinhou que o projeto ganhou impulso devido aos avanços da Ucrânia na guerra, ao cuidado nas negociações e ao legado de Graham.

"Ver o rosto de Zelensky na galeria enquanto votávamos foi um verdadeiro momento de alegria", acrescentou.

Um dos principais objetivos da visita de Zelensky era ter o acordo de Trump para a compra de mísseis intercetores Patriot, cruciais para a defesa aérea da Ucrânia, numa altura em que a Rússia tem intensificado os ataques com mísseis balísticos contra cidades e vilas ucranianas, ataques que apenas os sistemas Patriot norte-americanos conseguem neutralizar.

No início de julho, Trump tinha anunciado em Ancara, por ocasião da cimeira da NATO na Turquia, que os Estados Unidos iriam conceder a Kiev as licenças necessárias para fabricar este armamento defensivo.

Tópicos
PUB