Trump sugere que Zelensky não fez o suficiente para pôr fim à guerra com a Rússia

Trump sugere que Zelensky não fez o suficiente para pôr fim à guerra com a Rússia

O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu hoje que chegou a altura de a Ucrânia ter um novo chefe de Estado, sugerindo que o atual, Volodymyr Zelensky, não fez o suficiente para pôr fim à guerra com a Rússia.

RTP / Adicionar como fonte informativa

"Sugiro que arranjem um novo líder, que consiga fazer um acordo", afirmou Donald Trump, durante um discurso na Casa Branca, citado pela agência Associated Press, acrescentando que "por alguma razão [Zelensky] nunca o faz".

Donald Trump sugeriu que, caso fosse presidente dos Estados Unidos da América (EUA) em 2022, "aquela guerra [entre a Rússia e a Ucrânia] nunca teria começado". "Não havia razão para que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia tivesse começado. Começou devido à incompetência", disse.

O Presidente ucraniano, acrescentou, "perdeu 30% do seu país e há mais de um milhão de pessoas deslocadas nos dois lados, mais de dois milhões de mortos".

"É uma guerra que nunca deveria ter começado. E acho que é altura de a Ucrânia arranjar um novo Presidente", defendeu.

Ataques russos mataram pelo menos 20 pessoas, entre as quais três crianças, em Zaporijia, no sudeste da Ucrânia, divulgaram hoje autoridades ucranianas, um dia depois de o Presidente norte-americano ter anunciado um acordo para a compra de gasóleo russo que, de acordo com Kiev, ajudaria a financiar a guerra.

Também durante o dia de hoje, mísseis atingiram Kiev, tendo as autoridades ucranianas registado quatro feridos.

Os Estados Unidos autorizaram temporariamente, na sexta-feira, a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de fabrico russo, incluindo a sua entrada no mercado norte-americano, até 07 de abril de 2027, apesar das sanções impostas a Moscovo.

O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) mantém, no entanto, restrições aos pagamentos através de contas de três instituições financeiras estatais russas.

A medida foi justificada por Donald Trump como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro.

Segundo o líder da Casa Branca, a Rússia aceitou libertar de imediato 300 mil toneladas de gasóleo "para o mercado americano e global", seguidas de 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão posteriormente.

Volodymyr Zelensky considerou que a Rússia "expressou a sua gratidão" a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país, tendo a Ucrânia intensificado os ataques na Rússia, visando um terminal petrolífero na região de Rostov.

Os esforços diplomáticos sob mediação de Washington para pôr fim a mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia encontram-se atualmente num impasse.

A visita em setembro dos emissários norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e posteriormente, de modo inédito, a Kiev não resultou em qualquer anúncio concreto.

Hoje, um conselheiro do Presidente ucraniano, Dmytro Lytvyn, anunciou que a delegação de negociadores ucranianos que se deslocou aos Estados Unidos, para conversações sobre o fim da guerra com a Rússia iniciou o regresso a Kiev.

A equipa esteve em Miami, no estado norte-americano da Florida, para prosseguir as conversações com Washington iniciadas na sexta-feira.

Para este encontro foram também convidados conselheiros de segurança nacional da França, Alemanha e Reino Unido, bem como representantes da União Europeia e da NATO (aliança do Atlântico Norte).

 

c/Lusa

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