Ucrânia insiste que apenas ataca "alvos militares"

Kiev ataca apenas "alvos militares" russos, avançou um porta-voz militar ucraniano à AFP esta sexta-feira, depois de Moscovo ter acusado a Ucrânia de matar 27 civis num ataque com um drone a um café e a um hotel na aldeia de Khorly, situada numa pequena península na costa do Mar Negro.

Cristina Sambado - RTP /
Anastasia Barashkova - Reuters

"As Forças de Defesa da Ucrânia respeitam as normas do direito internacional humanitário e atacam exclusivamente alvos militares inimigos", acrescentou à AFP o porta-voz do Estado-Maior, Dmytro Lykhoviy.

Uma fonte das Forças de Defesa da Ucrânia confirmou o ataque à AFP, afirmando que tinha como alvo uma reunião militar russa num local fechado a civis.

A Rússia acusou Kiev na quinta-feira de atacar um café e um hotel durante as celebrações de Ano Novo na aldeia de Khorly, situada numa pequena península na costa do Mar Negro, na parte ocupada da região de Kherson, na Ucrânia.

Um novo balanço de mortos, divulgado na sexta-feira pelo governador de Kherson nomeado por Moscovo, Vladimir Saldo, reportou 27 civis mortos, incluindo duas crianças. Um balanço anterior, divulgado na quinta-feira pelas autoridades russas, apontava para 24 mortes.

A Rússia acusou Kiev de "sabotar deliberadamente qualquer tentativa de encontrar soluções pacíficas para o conflito".

Estas acusações surgem no meio de intensos esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra entre Kiev e Moscovo, que começou há quase quatro anos com a invasão da Ucrânia pela Rússia — o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Kiev, por sua vez, acusou Moscovo de tentar minar o processo diplomático com "desinformação".A Rússia "recorreu repetidamente à desinformação e a declarações falsas, particularmente com o objetivo de influenciar os parceiros internacionais da Ucrânia e o curso das conversações de paz", acrescentou Lykhoviy.

Um porta-voz militar ucraniano, Viktor Tregubov, ironizou as acusações russas nas redes sociais na quinta-feira.

"Então, quem é que estava hospedado num hotel no Ano Novo numa aldeia perto da linha da frente na região de Kherson (...)? Claro, eram os habitantes locais! Vão sempre aos hotéis no Ano Novo! As praias de Kherson são particularmente convidativas a quatro graus negativos", brincou no Facebook.

Um comunicado do Estado-Maior divulgado na quinta-feira de manhã mencionava ataques aéreos ucranianos que "atingiram duas áreas onde estavam concentrados militares e um posto de comando de drones inimigo", sem especificar as suas localizações.Rússia acusa Kiev de ataques com drones contra Moscovo
As autoridades russas reivindicaram esta sexta-feira a interceção de sete aparelhos aéreos não tripulados lançados pelo Exército ucraniano contra Moscovo, sem prestar informações sobre vítimas ou danos materiais.

O presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, afirmou que os aparelhos aéreos não tripulados (drones) foram abatidos durante a noite de quinta-feira e a manhã de hoje.
O autarca da capital da Rússia disse que as equipas de emergência estão a trabalhar nos locais onde se encontram os destroços dos drones.
Kiev não forneceu detalhes sobre os alegados ataques.


O Ministério russo da Defesa indicou que os sistemas de defesa aérea tinham abatido aproximadamente 65 drones ucranianos durante a noite de quinta-feira e as primeiras horas de hoje, incluindo sete sobre a região de Moscovo.

Da mesma forma, as autoridades da Rússia acrescentaram que 20 drones foram destruídos.

Até ao momento não foram divulgados dados concretos sobre eventuais vítimas ou danos materiais nas regiões da Rússia.

c/Agências 
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