Ucrânia. Putin atravessa ponte da Crimeia de automóvel e a pé

por Joana Raposo Santos - RTP
Na sua primeira visita à península desde a explosão, Putin esteve com trabalhadores e abordou as reparações da ponte. Mikhail Metzel - Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, atravessou esta segunda-feira a ponte da Crimeia - que liga a Rússia a essa península - conduzindo um automóvel. O trajeto foi percorrido menos de dois meses depois de uma explosão ter destruído parcialmente a ponte, num ataque cuja autoria nunca chegou a ser reivindicada.

Acompanhado do vice-primeiro-ministro russo, Marat Khusnullin, Vladimir Putin surge nas imagens transmitidas pela televisão estatal do país ao volante de um Mercedes enquanto respondia a questões sobre o ataque à ponte, ocorrido a 8 de outubro deste ano.

“Estamos a conduzir no lado direito. O lado esquerdo da ponte, pelo que percebi, está em condições de funcionamento, mas ainda precisa de ser terminado. Ainda sofreu um pouco [no ataque] e precisamos que fique ideal”, declarou o líder russo.

Para além de conduzir sobre a ponte de 19 quilómetros que inaugurou em 2018, Putin também percorreu alguns troços a pé, inspecionando partes que ainda estão visivelmente danificadas.
Na sua primeira visita à península anexada desde a explosão, o presidente russo esteve com trabalhadores e abordou as reparações da ponte com um membro do Governo responsável pelo projeto.
A península da Crimeia foi anexada pela Rússia em 2014. Em 1954, o território tinha sido transferido da Rússia Soviética para a Ucrânia pelo líder Nikita Khrushchev.
O ataque àquela que é a maior ponte da Europa destruiu uma secção da mesma, assim como vários camiões com combustível que a atravessavam vindos da Rússia, e levou à interrupção do trânsito. Segundo as autoridades russas, quatro pessoas morreram.

Em outubro passado, quando aconteceu o ataque, o Serviço Federal de Segurança da Rússia acusou os serviços de inteligência militares da Ucrânia de o terem perpetrado.

Kiev nunca assumiu diretamente a alegada autoria, apesar de o chefe do gabinete da Presidência da Ucrânia ter escrito no Twitter "Crimeia, a ponte, o início" e declarado que "tudo o que é ilegal deve ser destruído".

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo as Nações Unidas, desde o início da guerra 6.655 civis foram mortos e 10.368 ficaram feridos, sendo que estes números poderão estar muito aquém dos reais.

c/ agências
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