Zelensky acusa EUA de pressionarem Kiev para capitular

Zelensky acusa EUA de pressionarem Kiev para capitular

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou hoje os Estados Unidos de adotarem medidas para pressionar Kiev a capitular perante Moscovo, incluindo restrições na partilha de informações militares.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Kylie Cooper - Reuters

"Acho que foram dados passos para convencer a Ucrânia a capitular", afirmou Zelensky numa entrevista à agência Bloomberg.

O chefe de Estado ucraniano denunciou atrasos norte-americanos na entrega de mísseis intercetores para os sistemas de defesa antiaérea Patriot, apesar de estes já terem sido pagos por países europeus e de, segundo Zelensky, não existir qualquer problema técnico que justifique a demora.

Zelensky afirmou ainda que Washington rejeitou uma proposta de Kiev para suspender os ataques contra a indústria petrolífera russa, como exige o Presidente norte-americano, Donald Trump, em troca do fornecimento de mais mísseis para os sistemas Patriot.

"Mas só querem que deixemos de atacar o diesel. E, se o atacarmos, desligam-nos de alguma coisa", declarou.

O Presidente ucraniano denunciou também restrições persistentes na ligação à Internet fornecida às forças ucranianas pela empresa norte-americana SpaceX, através da rede de satélites Starlink, e falhas na transmissão de informações de inteligência sobre lançamentos de mísseis balísticos russos.

Segundo Zelensky, a ligação Starlink começa a falhar quando os drones que a utilizam atingem velocidades entre 130 e 161 quilómetros por hora.

"Isso abranda a nossa logística na frente e limita a utilização de diferentes tipos de `drones`, em particular os de médio alcance e os intercetores de Shaheds com motores a reação", explicou Zelensky.

As acusações surgem num momento em que circulam informações sobre a possibilidade de uma reunião entre Trump e os presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, para discutir a guerra na Ucrânia sem a participação de Kiev ou dos seus aliados europeus.

Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a iniciativa para o encontro partiu de Putin.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou hoje que "o tema desse hipotético encontro foi mencionado" durante a última conversa telefónica entre Putin e Trump, em 09 de outubro.

Peskov negou, contudo, que tenha sido apresentada uma proposta concreta ou alcançado um acordo para uma reunião entre os três dirigentes à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para novembro em Shenzhen, na China.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, rejeitou a possibilidade de uma negociação sobre o futuro da Ucrânia sem a participação de Kiev.

"Uma reunião trilateral entre os líderes da Ucrânia, Estados Unidos e Rússia poderia ajudar a acabar com a guerra mais depressa. Uma reunião trilateral entre os líderes da Rússia, China e Estados Unidos faria o contrário: encorajaria Putin a continuar esta guerra", afirmou o chefe da diplomacia ucraniana.

As declarações coincidiram com um novo ataque russo em larga escala contra a Ucrânia, que, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, teve como alvos empresas da indústria militar, depósitos de mísseis de cruzeiro e `drones` e centros de dados.

Zelensky afirmou que as forças russas utilizaram 16 mísseis de cruzeiro e que o ataque atingiu 28 subestações elétricas e outras infraestruturas energéticas críticas.

Segundo a Força Aérea ucraniana, nenhum dos 16 mísseis de cruzeiro foi intercetado.

O Presidente ucraniano afirmou que o país recebe dos Estados Unidos 12 mísseis antibalísticos por mês, considerando a quantidade insuficiente para responder a um único ataque russo da dimensão do realizado hoje.

Zelensky denunciou ainda que, tal como já tinha acontecido duas vezes na semana passada, as forças ucranianas não receberam antecipadamente informações de inteligência sobre o lançamento de mísseis balísticos a partir de território russo, sem responsabilizar diretamente Washington por estas falhas.

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