Zelensky considera acordo de segurança com os EUA "100% pronto"

Zelensky considera acordo de segurança com os EUA "100% pronto"

O presidente ucraniano anunciou no domingo que o documento norte-americano sobre garantias de segurança para a Ucrânia está "totalmente pronto" e Kiev aguarda apenas a definição da data e local para a sua assinatura.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Kuba Stezycki - Reuters

"Para nós, as garantias de segurança são, antes de mais, garantias de segurança dos Estados Unidos. O documento está 100% pronto e aguardamos a confirmação dos nossos parceiros sobre a data e o local da assinatura", disse Volodymyr Zelensky em conferência de imprensa durante uma visita a Vilnius, capital da Lituânia, no domingo.

"O documento será depois enviado para ratificação ao Congresso dos EUA e ao parlamento ucraniano", acrescentou.

O documento detalha compromissos que vão desde o suporte militar imediato até à defesa ativa contra futuras ofensivas.

Em conferência de imprensa, Zelensky foi claro: sem estas salvaguardas, não haverá estabilidade duradoura para Kiev.

Na sexta-feira e no sábado, negociadores ucranianos e russos realizaram a sua primeira reunião trilateral, incluindo mediadores norte-americanos, em Abu Dhabi, para discutir a proposta de Washington para o fim da guerra que dura há quase quatro anos, mas não foi alcançado qualquer acordo.

No entanto, Moscovo e Kiev afirmaram estar abertos a um diálogo mais aprofundado e esperavam-se novas discussões para o próximo domingo em Abu Dhabi, disse um responsável norte-americano aos jornalistas logo após as conversações do fim de semana.


"O plano de 20 pontos [dos EUA] e as questões problemáticas estão a ser discutidos. Havia muitas questões problemáticas, mas agora há menos", disse Zelensky.
"Ainda há muito trabalho a fazer"
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse esta segunda-feira que as conversações foram realizadas “num espírito construtivo”.

Mas "seria errado esperar resultados significativos destes contactos iniciais", alertou, citado pelas agências russas, sublinhando que "ainda há muito trabalho a fazer" para se chegar a uma solução para o conflito na Ucrânia.

As negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia estão paralisadas, principalmente na questão territorial.

Na sexta-feira, pouco antes do início das conversações em Abu Dhabi, o Kremlin reiterou que Kiev deve retirar as suas tropas do Donbass, uma região no leste da Ucrânia amplamente controlada por Moscovo. No entanto, esta condição tem sido repetidamente rejeitada por Kiev.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado repetidamente que a Rússia tomará toda a região do Donbas, na Ucrânia - da qual as forças de Moscovo controlam atualmente 90% - pela força, a menos que Kiev a ceda num acordo de paz.


"Não é segredo que esta é a nossa posição consistente, a posição do nosso presidente, de que a questão territorial, que faz parte da fórmula de Anchorage, é de importância fundamental para o lado russo", afirmou Peskov, citado pela agência de notícias estatal TASS. A "fórmula de Anchorage" refere-se ao que a Rússia afirma ter sido acordado entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e Putin numa cimeira no Alasca, em agosto passado, de acordo com uma fonte próxima do Kremlin.

Este alegado acordo, segundo a mesma fonte, prevê que a Ucrânia entregue à Rússia o controlo de todo o Donbas e congele as linhas da frente noutras partes do leste e sul da Ucrânia como condição para qualquer futuro acordo de paz.

c/agências
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