Amnistia denuncia falta de transparência dos EUA sobre ataque a escola iraniana
A Amnistia Internacional denunciou hoje a falta de transparência dos EUA sobre o bombardeamento da escola de Minab quase quatro meses depois do ataque perpetrado no início da ofensiva israelo-norte-americana contra o Irão.
"Precisamos de respostas agora", exigiu a organização.
"Passaram quase quatro meses desde o ataque aéreo norte-americano mais mortífero contra civis de que há memória nos últimos tempos, mas não estamos mais próximos de obter respostas das autoridades norte-americanas sobre porque aconteceu e quem foi responsável", denunciou a diretora nacional de Relações Governamentais e Incidência da Amnistia Internacional, para os EUA, Amanda Klasing, sobre o ataque que matou mais de 150 pessoas, entre as quais 120 estudantes da escola.
Neste sentido, questionou "porque está a demorar tanto" a investigação anunciada pelo Departamento de Defesa, mas que continua em esclarecer o ocorrido.
"A opinião pública e as famílias das vítimas merecem transparência e prestação de conta e a famílias devem obter verdade, justiça e reparações", assinalou.
Klasing apontou que Donald Trump, entretanto, fez declarações "contraditórias" sobre o caso e o Pentágono está a "obstruir" o Congresso.
Assim, a organização reclama "respostas agora", dado que o Exército, ao fim de quatro meses, já teve tempo suficiente "para explicar o que aconteceu".
A Amnistia Internacional insistiu em que, depois de apurado o que ocorreu, os suspeitos de responsabilidade penal devem ser julgados.
"O Pentágono também deve restabelecer as iniciativas de mitigação e resposta às consequências negativas sobre as pessoas e garantir o cumprimento do Direito Internacional Humanitário nas operações militares, incluindo o uso da inteligência artificial, para prevenir futuras violações", acrescentou.
Klasing recordou que Washington é "responsável" pelas mortes de 150 civis causadas por um ataque com míssil teleguiado e reiterou que "não há dúvida de que os EUA deveriam ter sabido que o edifício era uma escola e não um objetivo militar".
Recordou assim a investigação feita na altura, com outras entidades, ao ataque, realçando que se sabia que o local era desde há anos um centro educativo, pelo que o Pentágono "deveria ter obtido e verificado esta mesma informação, o que deveria ter levado à decisão de não atacar a escola".
Desta forma, "qualquer coisa menos do que isso equivaleria a encobrir uma grave infração do Direito Internacional Humanitário e a trair as vítimas e os sobreviventes deste horrendo ataque", concluiu.