Ataques de "má-fé" dos EUA não interrompem negociações de paz com Irão

Ataques de "má-fé" dos EUA não interrompem negociações de paz com Irão

Os Estados Unidos e o Irão continuam a negociar com vista a alcançar um entendimento, apesar de não chegarem a acordo quanto ao programa nuclear e de Teerão acusar Washington de continuar os ataques de "má-fé".

Inês Moreira Santos - RTP /
Reuters

Ainda no decorrer das negociações de terça-feira, o Irão acusou os EUA de violarem repetidamente o cessar-fogo em vigor. Num comunicado, o Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros denunciou as contínuas “ações ilegais e injustas” norte-americanas e os “numerosos roubos marítimos” contra navios comerciais iranianos.

Teerão considerou que estes bombardeamentos norte-americanos eram mais uma prova de “enganos e traição” por parte de Washington e garantiu não deixar “nenhum ato de agressão sem resposta”.

O centro de comando dos Estados Unidos para o Médio Oriente (Centcom) tinha anunciado, horas antes, ter atacado durante a noite locais de lançamento de mísseis no sul do Irão, numa operação que Washington classificou como uma ação de “autodefesa” destinada a proteger tropas norte-americanas perante ameaças de forças iranianas.

Segundo o Centcom, os ataques tiveram como alvo locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas alegadamente envolvidas em tentativas de colocação de minas na zona do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio energético mundial.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter abatido um drone norte-americano e disparado contra aviões que tentavam penetrar no espaço aéreo do país.

Apesar dos ataques dos EUA contra alvos iranianos, as negociações de paz, sob mediação conjunta do Paquistão e do Catar, mantiveram-se. A Guarda Revolucionária iraniana não especificou as possíveis represálias, indicando que não pretendia que fossem suspensos os passos finais para um acordo entre os dois países.

As forças iranianas acreditam que o retomar da guerra com os Estados Unidos é improvável, no meio das negociações diplomáticas em curso, embora também tenha declarado estar preparada para enfrentar um novo ataque.

"A probabilidade de guerra é baixa devido à fragilidade do inimigo", disse Mohammad Akbarzadeh, um alto funcionário das forças navais da Guarda Revolucionárias, esta quarta-feira. “As forças armadas estão em alerta máximo, com os seus depósitos de munições totalmente carregados".

Teerão ameaçou, assim, "transformar a área" que se estende de leste a oeste do Golfo num "um cemitério para agressores".

Apesar de alguns sinais recentes de abertura entre Washington e Teerão, a retórica voltou a endurecer num conflito em que os combates praticamente cessaram desde 8 de abril, mas no qual o bloqueio do estreito de Ormuz continua, impulsionando os preços do petróleo.

C/agências
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