China alerta Riade para "consequências graves" caso guerra se intensifique
O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, alertou hoje para "consequências graves" caso o conflito no Médio Oriente se intensifique, durante uma conversa telefónica com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan.
Wang indicou que "o conflito no Irão se prolonga há mais de um mês, causando várias vítimas e perdas, e afetando a segurança e a estabilidade da Arábia Saudita e de outros Estados do Golfo", segundo um comunicado divulgado pela diplomacia da China.
O responsável chinês afirmou que "a tarefa urgente é centrar esforços na obtenção de um cessar-fogo e pôr fim ao conflito o mais rapidamente possível".
Wang defendeu ainda que "as ações do Conselho de Segurança da ONU devem evitar a escalada da confrontação e não devem legitimar ações militares não autorizadas; caso contrário, as consequências serão nefastas, sendo os países de pequena e média dimensão os mais afetados".
"A China valoriza o compromisso da Arábia Saudita na promoção da paz e no fim do conflito e está disposta a cooperar com Riade para restabelecer a paz regional o mais rapidamente possível", acrescentou.
O ministro referiu-se também à iniciativa de cinco pontos proposta pela China e pelo Paquistão, que inclui "salvaguardar a soberania e a segurança dos Estados do Golfo, cessar ataques contra civis e alvos não militares e garantir a segurança das rotas marítimas".
O ministro saudita lamentou o "grave impacto" do conflito na "região e no mundo", segundo o mesmo comunicado.
O responsável saudita indicou ainda que espera reforçar a comunicação e a coordenação com a China em plataformas como as Nações Unidas, para pôr fim ao conflito.
Na quinta-feira, Wang falou por telefone com a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, que lhe transmitiram a urgência de restabelecer o tráfego no estreito de Ormuz e de avançar para uma solução negociada.
O chefe da diplomacia chinesa conversou igualmente com o homólogo do Barém, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, defendendo que o Conselho de Segurança da ONU deve contribuir para "aliviar as tensões" e não para "legitimar atos ilegais de guerra".