Economia
Guerra no Médio Oriente
Crise no abastecimento de gás? Portugal tem reservas até ao fim da guerra, garante diretor-geral de Energia e Geologia
Se a guerra não demorar muito tempo, Portugal não vai enfrentar qualquer crise por uma eventual falta de gás: para já, as reservas são suficientes, garante o diretor-geral de Energia e Geologia. Paulo Carmona admite, ainda assim, que o país pode sofrer o impacto da guerra do Médio Oriente, que está a afetar os combustíveis. A culpa é do multilateralismo.
Foto: Facebook da DGEG Direção Geral de Energia e Geologia
A guerra dos combustíveis no Médio Oriente, motivada pela guerra no Irão, tem-se intensificado nos últimos dias. Começou com o fecho do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do crude exportado pelos países do Golfo, e estendeu-se aos campos de gás e refinarias. Esta quinta-feira, Israel atacou o campo de South Pars, responsável por 70% do fornecimento de gás no Irão, e Teerão respondeu com um ataque a Ras Laffan, o maior centro de gás natural liquefeito (GNL) do Catar. Os mercados reagiram mal e o preço dos combustíveis continuou numa trajetória ascendente.
O aumento dos preços não vai, ainda assim, refletir-se para já nas tarifas reguladas do gás e da eletricidade, refere Paulo Carmona. Só que é preciso estar atento a outras frentes, diz o diretor-geral de Energia e Geologia. "Não há, nesta altura, problemas de abastecimento nenhuns em termos da Europa. Há uma situação que se pode agravar, especialmente ao nível do gasóleo e do jet fuel, que era originário, grande parte, do Golfo Pérsico, mas nesta altura não há (risco). Há mais uma questão de medo. Nós seguimos as notícias todos os dias do Golfo Pérsico, mas, sobretudo, o que os investidores e consumidores estão preocupados, como todos nós, é em saber quanto tempo durará a guerra", adiantou.
É para evitar cenários de crise e de rutura que os líderes europeus - nomeadamente o presidente do Conselho Europeu, António Costa - defendem uma maior autonomização ao nível dos combustíveis e, sobretudo, a transição energética. Paulo Carmona concorda e, mais do que isso, diz que está confiante em relação ao futuro. "Nós conseguimos ultrapassar a crise energética da Ucrânia através do limite ao gás russo e vamos conseguir ultrapassar também esta crise. Não tenho grandes dúvidas em relação a isso", concluiu.