EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Estratégia energética torna China mais resiliente a crise no Médio Oriente

Estratégia energética torna China mais resiliente a crise no Médio Oriente

A aposta estratégica da China na segurança energética está a permitir ao país resistir melhor ao choque petrolífero provocado pela guerra no Médio Oriente, segundo uma análise do Mercator Institute for China Studies (MERICS), divulgada hoje.

Lusa /
Greg Baker - AFP

O grupo de reflexão, com sede em Berlim, refere que "anos de reforço da resiliência do sistema energético tornaram a China notavelmente resistente" à subida dos preços do petróleo desencadeada pelo conflito no Médio Oriente e pelo impacto no estreito de Ormuz.

Apesar de continuar fortemente dependente de importações de crude da região, Pequim beneficiou de uma estratégia de diversificação e de investimento em tecnologias energéticas que aumentaram a sua autossuficiência para cerca de 85%, de acordo com dados citados no documento.

O relatório sublinha que a política energética chinesa tem sido orientada sobretudo por preocupações de segurança, mais do que por metas climáticas, indicando que o principal objetivo é "minimizar riscos e volatilidade" num contexto internacional cada vez mais instável.

Entre os fatores que reforçaram a resiliência do país estão a expansão das energias renováveis, a eletrificação da economia, a diversificação das fontes de importação de combustíveis fósseis e o aumento da capacidade de produção de carvão.

A análise surge num momento em que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão está a provocar uma das maiores perturbações nos mercados energéticos globais das últimas décadas, com forte impacto nos fluxos de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais.

Segundo o MERICS, esta conjuntura valida a estratégia chinesa de longo prazo, permitindo ao país enfrentar melhor choques externos face a outras economias asiáticas mais dependentes de importações energéticas.

O instituto alerta, contudo, que o aumento contínuo da procura energética chinesa, impulsionado pela expansão industrial e tecnológica, continuará a colocar pressão sobre o sistema, apesar das medidas adotadas para reforçar a segurança de abastecimento.

Em 2025, a China tornou-se o primeiro país do mundo a ultrapassar uma procura de 10 biliões de quilowatt-hora de eletricidade, excedendo o consumo combinado da União Europeia, da Rússia, da Índia e do Japão.

O carvão continua a ser a principal fonte de energia da China, mas Pequim está a impulsionar a transição energética e a aumentar as suas capacidades de energia limpa mais rapidamente do que qualquer outro país.

"Até agora, o cálculo de Pequim parece confirmar-se: o verde é positivo para a segurança, para o clima e para os negócios. Um sistema energético limpo, com fontes diversificadas, é uma aposta inteligente para minimizar o impacto de choques externos como a guerra no Médio Oriente e um ambiente energético global cada vez mais volátil", escreveu Nis Grünberg, analista principal do MERICS.

PUB