Ex-chefe do gabinete de Netanyahu pode ser acusado de fraude e abuso de confiança

Ex-chefe do gabinete de Netanyahu pode ser acusado de fraude e abuso de confiança

Os procuradores israelitas anunciaram esta terça-feira que estão a considerar acusar o ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por fraude, abuso de confiança e obstrução à justiça num caso que envolve a fuga de informações confidenciais sobre a guerra em Gaza.

Cristina Sambado - RTP /
Gali Tibbon - Pool via AFP

Tzachi Braverman foi interrogado pela polícia em janeiro por alegadamente obstruir uma investigação relacionada com as fugas de informação, que foram publicadas no jornal alemão Bild em 2024.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral do Estado informou que comunicou aos representantes de Braverman que está a "ponderar" indiciá-lo por "fraude, abuso de confiança e obstrução à justiça, aguardando uma audiência".

O caso diz respeito a um documento confidencial alegadamente do líder do Hamas, Yahya Sinwar, que foi posteriormente assassinado por Israel. O texto foi revelado pelo Bild em setembro de 2024, no auge da guerra na Faixa de Gaza, em violação da censura militar israelita.

O documento sugeria que o Hamas não estava interessado num cessar-fogo com Israel, nem num acordo para a libertação dos reféns. Os reféns tinham sido sequestrados a 7 de outubro de 2023, durante o ataque do movimento palestiniano contra Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.

Em entrevista, Eli Feldstein, antigo conselheiro do primeiro-ministro israelita, afirmou que Netanyahu tinha sido informado sobre a fuga de informação planeada, que visava mobilizar a opinião pública a favor da guerra.

Eli Feldstein acusou ainda Braverman de tentar obstruir a investigação sobre as fugas de informação.

Segundo a acusação, os dois homens encontraram-se a pedido de Tzachi Braverman, que alegadamente se ofereceu para "encerrar" a investigação.

Braverman, um confidente de confiança do primeiro-ministro, estava cotado para se tornar o próximo embaixador de Israel no Reino Unido.


Nos últimos meses, o primeiro-ministro israelita enfrentou vários incidentes no seu gabinete, que também foi abalado durante mais de um ano pelo escândalo Qatargate. Neste caso, indivíduos próximos de Netanyahu terão sido recrutados para promover os interesses do Catar em Israel durante a guerra contra o Hamas.

c/agências 
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