Gaza. Descoberta vala comum com 180 corpos no hospital de Khan Younis

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Ramadan Abed - Reuters

Equipas médicas e de resgate recuperaram, este domingo, 180 corpos de uma vala comum dentro do complexo médico Naser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Enquanto isso, os ataques israelitas no enclave continuam, inclusive na cidade de Rafah, onde 22 pessoas morreram durante os ataques noturnos. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu este domingo “aumentar a pressão militar” sobre o Hamas “nos próximos dias”.

“No pátio do hospital, membros da defesa civil e paramédicos recuperaram 180 corpos enterrados nesta vala comum pelos militares israelitas. Os corpos incluem mulheres idosas, crianças e homens jovens”, disse Hani Mahmoud, jornalista da Al Jazeera que está em Khan Younis, este domingo.

“Foram executados a sangue frio e enterrados com rolos compressores militares”, disse o grupo Hamas, que criticou os Estados Unidos pelo seu “apoio militar e político ilimitado” ao Governo israelita.


Alguns dos corpos encontrados “foram despidos, o que certamente indica que foram presos, torturados e submetidos a maus-tratos pelo exército de ocupação israelita”, disse o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Bassal, citado pela AFP.

Num comunicado no final do sábado, os serviços de emergência palestinianos adiantaram que as equipas vão continuar com as operações de busca e recuperação dos corpos nos próximos dias, “pois ainda há um número significativo deles”.


A descoberta da vala comum acontece numa altura em que muitos palestinianos regressam a Khan Younis depois de os militares israelitas terem retirado as tropas da cidade, a 7 de abril.

Grande parte da cidade está agora em ruínas, depois de ter estado quatro meses sob cerco israelita.

Naser e Al-Shifa, os dois maiores hospitais da Faixa de Gaza, ficaram inoperacionais depois de o exército israelita ter lançado uma dura ofensiva contra as instalações, justificando os ataques com a presença de alegados membros do Hamas e da Jihad Islâmica. Na passada quinta-feira, as autoridades de Gaza descobriram também uma nova vala comum junto do hospital Al-Shifa com mais de 30 corpos.
Netanyahu promete “aumentar a pressão militar” sobre o Hamas
Enquanto isso, os ataques israelitas no enclave continuam, inclusive na cidade de Rafah, onde Israel já anunciou que planeia levar a cabo uma “operação poderosa”.

Segundo as autoridades palestinianas, os ataques israelitas durante a noite mataram 22 pessoas, incluindo 18 crianças.

O primeiro ataque, ocorrido na manhã de domingo, matou um homem, a sua esposa e o filho de três anos, de acordo com o Hospital do Kuwait, que recebeu os corpos. A mulher estava grávida e os médicos conseguiram salvar o bebé, segundo adiantou o hospital.

O segundo ataque matou 17 crianças e duas mulheres, todas da mesma família, segundo registos do hospital. Um ataque aéreo em Rafah na noite anterior matou nove pessoas, incluindo seis crianças. O Ministério da Saúde do Hamas contabilizou 48 mortes em 24 horas no território, elevando o número total desde o início da guerra para 34.097 mortes, a maioria civis.

Numa mensagem de vídeo divulgada este domingo, na véspera da Páscoa judaica, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu “aumentar a pressão militar” sobre o Hamas.

"Vamos desferir-lhe novos golpes duros - e isso vai acontecer em breve. Nos próximos dias, vamos aumentar a pressão militar e política sobre o Hamas, porque é a única forma de libertar os nossos reféns e de obter a nossa vitória", declarou Netanyahu.


Mais de seis meses após o início da guerra, desencadeada por um ataque sem precedentes do movimento islâmico palestino Hamas contra Israel, a 7 de Outubro, Netanyahu continua a proclamar a sua determinação em lançar uma ofensiva terrestre em Rafah, que considera ser o último grande bastião do Hamas. Segundo a ONU, quase 1,5 milhões de palestinianos deslocados estão concentrados nesta cidade localizada no extremo sul do território.

Israel adiou a ofensiva militar a Rafah após o ataque iraniano, no passado sábado, mas reiterou que se mantém determinado a atacar a cidade, apesar dos apelos internacionais.

Nos últimos dias, fontes do Egito avançaram que os EUA terão dado luz verde à ofensiva militar israelita em Rafah. Em troca, Israel comprometeu-se a dar uma resposta limitada ao ataque do Irão.

c/agências
PUB