Governo moçambicano reconhece "pressão" nos postos de combustíveis
O Governo moçambicano reconheceu hoje "pressão" sobre os postos de combustíveis, quando surgem enormes filas para abastecer, pelo menos em Maputo, face a receios de rutura de stock e subida de preços devido ao conflito no Médio Oriente.
"Efetivamente, temos estado a acompanhar alguma pressão sobre as bombas. A informação existente é que há disponibilidade, ainda, de stock. Eu não poderia aqui transmitir a mensagem de quantos dias, quantas semanas, mas este é um assunto de seguimento diário ao nível do Governo", disse o ministro Salim Valá, porta-voz da reunião semanal do Conselho de Ministros, realizada hoje em Maputo.
"É uma preocupação central da sociedade, da economia, do desenvolvimento do nosso país. Portanto, neste momento, o que podemos dizer que reconhecemos que há alguma pressão sobre isso", disse ainda o ministro da Planificação e Desenvolvimento, questionado pelos jornalistas no final da reunião de hoje.
Postos de abastecimento de combustíveis em Maputo começam a registar longas filas de espera, com dezenas de clientes munidos também de bidons e carros parados a aguardar combustível.
"Muitas vezes, esta forma como funciona a dinâmica económica é muito baseada em perceções e expetativas. Aquilo que nós transmitimos, como órgãos de comunicação social também, pode fazer com que as pessoas corram todas para as bombas ou as pessoas mantenham a sua normalidade como faziam antes da crise. Portanto, a economia funciona muito na base das expetativas, mas também na base das perceções", disse Valá.
O porta-voz da reunião de hoje do Conselho de Ministros recordou que Moçambique ainda não aumentou o preço dos combustíveis, contrariamente ao que já foi feito por "vários países" vizinhos.
"Esta é uma possibilidade que poderá ocorrer, como aconteceu com outros países. Não aumentaram o preço dos combustíveis porque tinham vontade de o fazer. Mas vamos aguardar, vamos gerir este momento difícil e vamos esperar que a situação no Médio Oriente se normalize e que efetivamente este, que não era um problema, possa ser ultrapassado naturalmente", concluiu o ministro.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, avisou na segunda-feira, em Maputo, que a "crise de combustíveis" provocada pela guerra no Médio Oriente pode chegar a Moçambique a "qualquer altura", pedindo aposta no transporte público para mitigar essas consequências.
Ao intervir, enquanto presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), na abertura da II sessão ordinária da Organização da Juventude Moçambicana (OJM, organização juvenil da Frelimo), Chapo sublinhou a prioridade do Governo, ao disponibilizar viaturas para transporte público em todo o país.
"Ao colocarmos as viaturas para os 15 municípios da zona centro e norte e no próximo mês de maio para a zona sul, é exatamente para anteciparmos a crise de combustíveis que a qualquer altura pode chegar, por causa da guerra, que sabem muito bem, entre o Irão, Estados Unidos e Israel. E com transporte público podemos minimizar o impacto desta crise", disse o chefe de Estado e presidente da Frelimo, na sua intervenção.
As autoridades moçambicanas anunciaram na quinta-feira que estão a preparar medidas para mitigar eventuais impactos de aumentos dos preços de combustíveis, face à imprevisibilidade nos preços internacionais devido à guerra no Médio Oriente.
"Há muita imprevisibilidade. É muito difícil a uma altura desta fazer alguma previsão, tomando em consideração o que decorre mesmo no contexto geopolítico", disse Felisbela Cunhete, diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), assinalando que em janeiro e fevereiro o país constatou alguma estabilidade dos preços dos combustíveis, seguindo-se o agravamento dos preços de importação e do próprio produto.
A interrupção da circulação pelo Estreito de Ormuz, via de transporte para cerca de 20% do petróleo e parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, os mercados de combustíveis reagiram rapidamente e registaram um agravamento muito grande dos preços, referiu.