Guterres "profundamente preocupado" com escalada pede regresso ao diálogo
O secretário-geral da ONU "está profundamente preocupado" com a contínua escalada do conflito no Médio Oriente, indicou hoje o porta-voz de António Guterres, reiterando que o único caminho a seguir é o do diálogo e das negociações genuínas.
Guterres "está profundamente preocupado com a contínua escalada no Médio Oriente, incluindo os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e os ataques do Irão contra países vizinhos no Golfo e noutras regiões que não são partes no conflito, assim como com o aumento significativo da retórica hostil", disse Stéphane Dujarric na sua conferência de imprensa diária, na sede da ONU eem Nova Iorque.
O líder da ONU instou as partes em conflito a retomarem a plena implementação do cessar-fogo e a evitarem qualquer deterioração adicional que possa desencadear uma retomada completa do conflito, com consequências imprevisíveis para a região e para o mundo, especialmente para os países mais vulneráveis.
O ex-primeiro-ministro português sublinhou que o exercício dos direitos e liberdades de navegação deve ser respeitado e apelou a todas as partes para que cumpram as suas obrigações perante o Direito Internacional, além de todas as precauções viáveis para proteger os civis.
"O secretário-geral reitera que o único caminho a seguir é através de um diálogo e de negociações genuínas", insistiu Dujarric, apelando diretamente aos Estados Unidos e ao Irão para que redobrem os seus esforços em prol de um acordo pacífico, abrangente e duradouro que promova a paz e a segurança regional e internacional.
O Presidente norte-americano ameaçou hoje que os Estados Unidos vão voltar a atacar o Irão "com muita força" esta noite e assumiu que quer controlar os mercados de petróleo e gás, tal como na Venezuela.
"Os Estados Unidos vão atacar o Irão (cuja Marinha, Força Aérea, radares, defesas antiaéreas e todas as outras formas de defesa, juntamente com a maior parte da sua capacidade ofensiva, já desapareceram!) com toda a força esta noite", escreveu Donald Trump na sua rede social Truth Social.
Além destes ataques, o republicano ameaçou tomar "num futuro não muito distante" a "ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera, assumindo o controlo total dos seus mercados de petróleo e gás", tal como fez na Venezuela e que está, segundo Trump, "a funcionar brilhantemente" tanto para Caracas como para Washington.
A recente escalada entre os Estados Unidos e a República Islâmica surge após um helicóptero norte-americano ter sido abatido enquanto operava junto ao estreito de Ormuz.
Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegsteh, anunciaram na quarta-feira que os Estados Unidos iriam atacar o Irão, apesar do cessar-fogo em vigor desde abril.
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária iraniana lançou uma nova onda de ataques contra Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Teerão alertou que os últimos bombardeamentos de Washington "tornam praticamente inútil" o acordo de cessar-fogo alcançado em abril.
Centenas de navios, incluindo petroleiros, estão retidos no Golfo na sequência do encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão, agravado por um bloqueio norte-americano aos portos iranianos.