Hezbollah reivindica ataques contra forças israelitas por "violarem" acordo de paz
O grupo libanês Hezbollah reivindicou hoje ataques contra tropas israelitas e repeliu um avanço militar no sul do Líbano, ações consideradas como "em legítima defesa" e em resposta à violação do cessar-fogo alcançado entre EUA e Irão.
As forças do grupo xiita Hezbollah avistaram uma força israelita, composta por um pelotão blindado e de infantaria, a tentar infiltrar-se para norte das colinas de Ali al Taher, que atacou "com diversas armas, visando três tanques Merkava com mísseis guiados, o que provocou a sua destruição e incêndio", assinalou a formação armada num comunicado publicado esta madrugada na sua conta oficial no Telegram.
Num segundo comunicado, em referência ao primeiro, o grupo assinalou que os combatentes do Hezbollah "repeliram" as tropas que procuravam infiltrar-se por "uma rota oculta", enquanto uma segunda força israelita "tentou avançar para recuperar os mortos e feridos sob uma densa nuvem de fumo, lançando simultaneamente dezenas de foguetes de sinalização para a zona".
Os combatentes do Hezbollah atacaram então novamente "com uma salva de foguetes e granadas de morteiro", de acordo com o comunicado, que não especificou o número de baixas israelitas.
Até ao momento, Israel ainda não reagiu a esta informação.
Estes combates ocorreram num período de algumas horas em que o Exército israelita atacou intensamente a região sul de Nabatieh, de acordo com a Agência Nacional de Notícias (ANN) libanesa.
O Hezbollah afirmou na quinta-feira à noite que estava a combater as tropas israelitas quando estas tentaram avançar da localidade de Arnoun em direção aos arredores de Kfar Tebnit, na província de Nabatieh.
Os confrontos ocorrem depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo iraniano, Masud Pezeshkian, assinarem digitalmente na quarta-feira um memorando de entendimento para o início das negociações de um acordo de paz definitivo, que entrou em vigor imediatamente após a assinatura e que alarga a cessação das hostilidades ao Líbano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou na quinta-feira que o Exército israelita manterá a "zona de segurança" nos territórios ocupados do sul do Líbano, dos quais Israel não se retirará "enquanto as necessidades de segurança assim o exigirem".
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou esta semana que o "limite para as negociações" entre Israel e o Líbano deve ser "a segurança mútua" e apelou a que se aproveitasse o acordo de paz entre o Irão e os Estados Unidos para "expulsar" o Estado judeu e restaurar a soberania.