"Quem mata reféns não quer um acordo". Israel diz ter identificado seis reféns mortos em Gaza
O exército de Israel disse este domingo ter identificado os corpos de seis reféns recuperados na Faixa de Gaza, duas mulheres e quatro homens, incluindo um israelo-norte-americano e um israelo-russo. Benjamin Netanyahu reagiu dizendo que "quem mata reféns não quer um acordo". Já o Hamas culpou Israel pela morte dos reféns.
Num comunicado, as Forças de Defesa de Israel disseram que, em conjunto com o Shin Bet, a inteligência doméstica israelita, localizaram no sábado e recuperaram os corpos de seis reféns "de um túnel na zona de Rafah", no sul da Faixa de Gaza.
Cinco dos reféns - com idades entre os 23 e os 32 anos - tinham sido raptados no festival de música Nova techno, durante o ataque surpresa de 7 de outubro contra o sul de Israel, por membros do Hamas.
O ministro israelita da Defesa, Yoav Gallant, disse que os seis reféns estavam vivos quando foram raptados e foram depois "mortos a sangue-frio pelo Hamas".
O porta-voz do Exército de Israel, Daniel Hagari, confirmou a morte dos reféns.
O movimento tinha em abril divulgado provas que estes reféns ainda estavam vivos, incluindo um vídeo, filmado pelos captores, que mostrava o israelo-norte-americano Hersh Goldberg-Polin.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou este domingo que Israel não descansará enquanto não apanhar os responsáveis pela morte dos seis reféns cujos corpos foram recuperados na Faixa de Gaza.
"Quem assassina reféns não quer um acordo", disse Netanyahu, acrescentando que Israel está empenhado em alcançar um acordo para libertar os restantes reféns e garantir a segurança de Israel.
Já Izzat al-Rishqon, responsável do Hamas, culpou Israel pela morte dos reféns e acusou Telavive de não estar disposta a chegar a um acordo.
Famílias dos reféns condenam atrasos nas negociações
Os Estados Unidos, o Qatar e o Egito continuam a tentar mediar um acordo para um cessar-fogo e a libertação dos reféns israelitas na Faixa de Gaza, em troca de prisioneiros palestinianos.
"Um acordo para a devolução dos reféns estava em discussão há dois meses. Sem os atrasos, a sabotagem e os pretextos, aqueles cujas mortes soubemos esta manhã estariam certamente ainda vivos", afirmou um grupo de familiares dos reféns.
"É tempo de trazer os nossos reféns para casa, ajudar os vivos a recuperar e enterrar os mortos com dignidade", acrescentou o grupo, num comunicado.
O grupo sublinhou que um dos reféns cujo corpo foi agora recuperado, Alexander Lobanov, foi pai, enquanto estava em cativeiro, de uma criança, atualmente com cinco meses de idade.
"O coração de toda a nação está partido em mil pedaços", disse o presidente israelita, num comunicado.
"Continuaremos a lutar incansavelmente contra a organização terrorista criminosa Hamas", acrescentou Isaac Herzog.
Guerra sem fim à vista
O ataque do Hamas a 7 de outubro matou mais de 1.200 pessoas em Israel, a maioria civis, de acordo com uma contagem da agência de notícias France-Presse, baseada em números oficiais israelitas.
Um total de 251 pessoas foram raptadas e levadas para Gaza, de acordo com as autoridades israelitas.
Destas, perto de uma centena foram libertadas no final de novembro, durante uma trégua, em troca de prisioneiros palestinianos, e 97 reféns continuam detidos no território palestiniano, 33 dos quais terão morrido, de acordo com as IDF.
Em resposta ao ataque de outubro, Israel declarou guerra ao Hamas, bombardeando várias infraestruturas do grupo e impondo um cerco total à Faixa de Gaza.
A ofensiva israelita fez pelo menos 40.691 mortos, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo Hamas desde 2007. De acordo com a ONU, a maioria dos mortos são mulheres e menores.
c/ Lusa