Itália e Finlândia aconselham cidadãos distância e precaução em países do Médio Oriente, Portugal mantém recomendações
Itália instou hoje os seus cidadãos no Irão a abandonar o país e a aumentar as precauções em toda a região do Médio Oriente, tal como fez a Finlândia, perante "possíveis novas ações militares" dos Estados Unidos.
Contactado hoje pela Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português sobre eventuais recomendações para estes destinos, fonte oficial remeteu para um aviso sobre o Irão datado de 15 de janeiro e outro de 19 de fevereiro sobre Israel, divulgados no Portal das Comunidades.
"Desaconselham-se todas e quaisquer viagens ao Irão em face do vigente contexto de tensão e da situação de conflito armado latente na região, o que resulta em significativo risco securitário. Os cidadãos nacionais que se encontrem no país são aconselhados a saírem por meios próprios", recomendou a diplomacia portuguesa a 15 de janeiro.
A 19 de fevereiro, outro aviso do MNE indicava: "Em virtude da volatilidade da situação de segurança, devem continuar a evitar-se as viagens não-essenciais para Israel. Desaconselham-se quaisquer deslocações à Faixa de Gaza e áreas imediatamente circundantes, bem como qualquer deslocação à Cisjordânia e à zona da fronteira israelo-libanesa e junto à Síria (Montes Golã)".
"Os cidadãos nacionais que se encontrem no país devem respeitar os alertas emitidos pelas autoridades israelitas e seguir todas as instruções de segurança", acrescentava a nota.
O Governo italiano, além de instar os seus nacionais a sair do Irão, desaconselhou hoje também as viagens "por qualquer motivo" ao Iraque e recomendou o adiamento de deslocações ao Líbano que não sejam essenciais, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado.
Em janeiro, Itália também já tinha instado os compatriotas a abandonar o território da República Islâmica, após o início dos protestos nas ruas, altura em que repatriou o pessoal não-indispensável da sua embaixada em Teerão.
Quanto à situação em Israel, a diplomacia italiana recomendou que todos os seus cidadãos usem de "máxima vigilância", permaneçam "em alerta" e se mantenham informados sobre os procedimentos de emergência e as instruções das autoridades locais.
"A situação de segurança mantém-se instável a nível regional. As restantes embaixadas italianas na região mantêm-se em alerta e em contacto constante com a Unidade de Crise, com o objetivo comum de auxiliar os cidadãos italianos que precisem", conclui o comunicado do MNE italiano hoje divulgado.
Por sua vez, o Governo da Finlândia recomendou hoje aos seus cidadãos que evitem as viagens desnecessárias a Israel, Palestina e Iraque, devido ao aumento de tensão na região.
O MNE finlandês alertou num comunicado que as tensões no Médio Oriente se intensificaram nos últimos dias e que a situação poderá persistir "por um longo período".
No caso de Israel, o ministério advertiu de que o risco de ocorrerem ataques com mísseis e drones e atentados terroristas continua a ser elevado e não descartou a possibilidade de um conflito armado.
Explicou que existe o risco de que as tensões entre Israel e o Irão possam voltar a intensificar-se e levar a um confronto militar semelhante ao que ocorreu após a ofensiva aérea israelita em grande escala a instalações militares e nucleares iranianas, em junho de 2025.
"São possíveis alterações repentinas no tráfego aéreo. Mantenha-se sempre informado sobre a localização do abrigo mais próximo. Siga as instruções das autoridades locais", referiu o comunicado.
Além disso, existe a ameaça de que Israel retome as operações militares em grande escala na Faixa de Gaza, caso a implementação do plano de paz dos Estados Unidos não avance, o que poderá desencadear um contra-ataque com morteiros e mísseis por parte do movimento islamita palestiniano Hamas e de outras organizações a ele ligadas.
Por todas estas razões, a diplomacia finlandesa recomendou ainda evitar "todas as viagens" para as zonas fronteiriças israelitas com Gaza, Líbano e Síria, bem como para os territórios palestinianos e o Iraque, e aconselhou cautela a quem viajar para Omã, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.
As autoridades francesas também desaconselharam hoje os seus cidadãos a viajar para Israel, Jerusalém e Cisjordânia, devido às potenciais consequências para a segurança decorrentes das tensões com o Irão, num contexto de ameaças militares norte-americanas.
Os alertas destes países europeus aos seus cidadãos foram emitidos no mesmo dia em que a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém autorizou a saída de Israel de funcionários não-essenciais do Governo norte-americano e suas famílias, devido a "riscos de segurança".