Política
Guerra no Médio Oriente
Livre quer ministro israelita como "persona non grata" em Portugal: "Ben-Gvir não vem por bem"
Depois de ter avançado com um voto de condenação ao ministro da Segurança Nacional de Israel por violação da dignidade dos ativistas que seguiam a bordo de uma flotilha humanitária em direção a Gaza, o Livre quer que a Assembleia da República aprove uma recomendação para que o Governo português considere Itamar Ben-Gvir como 'persona non grata' em território português.
A proposta dá entrada no parlamento como um projeto de resolução em que o partido assinala que o ministro israelita tem defendido posições públicas de "incitamento à violência, ao ódio e à discriminação contra o povo palestiniano" e de apoio a violações do Direito Internacional que "contribuem para o genocídio em curso".
Em declarações à RTP Antena 1, o deputado e co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, diz que a iniciativa pretende dar um sinal político claro de condenação das posições manifestadas por Ben-Gvir.
"A comunidade internacional, se quer ajudar a trazer a paz e a solução de dois Estados, tem de conseguir dar passos a favor da paz, mas também condenar todos os extremismos, todos os terrorismos, todos os apelos ao genocídio e à limpeza étnica, venham de onde vierem", defendeu.
Para Rui Tavares, o facto de Ben-Gvir integrar o Governo israelita torna ainda mais relevante uma resposta política por parte dos Estados.
"Não pode ser descartado como uma mera voz extremista no meio de uma série de outras. É alguém que tem responsabilidades e que tem promovido sistematicamente a limpeza étnica e o tratamento diferenciado de pessoas conforme sejam de religiões diferentes ou de povos diferentes", acrescentou Rui Tavares, que assinala: "Pior ainda, Ben-Gvir é alguém que tem apresentado e fomentado dentro do Governo de Israel planos práticos para a limpeza étnica de Gaza e para a colonização total da Cisjordânia".
São motivos que levam Rui Tavares a considerar que manter relações institucionais "normais" com o minsitro da Segurança Nacional de Israel significa contribuir para a normalização deste tipo de posições.
"Há um momento a partir do qual as coisas ficam tão extremadas, tão anti-direitos humanos, tão anti-paz, que já não podemos tratá-las como se fossem banais. Ben-Gvir já não pode ser tratado como meramente um governante de outro país do qual discordamos", sustentou.
O dirigente do Livre defende, por isso, que Portugal deve acompanhar outros países que já adotaram medidas contra membros do Governo de Benjamin Netanyahu.
"Ao propormos que a Assembleia da República recomende ao Governo a designação de Itamar Ben-Gvir como 'persona non grata', não estamos sequer a ser pioneiros", afirmou, referindo que países como o Reino Unido, a Austrália e a Noruega já adotaram medidas de "denúncia" ou "sanções dirigidas" a ministros israelitas.
Rui Tavares recorre, inclusive, a um jogo de palavras para justificar a proposta do Livre, que considera que Israel e o Governo israelita devem "pagar o preço político" por promoverem ações contrárias à paz.
"Temos um ditado português que se aplica aqui muito bem: Ben-Gvir não vem por bem. E o que se faz em Portugal a quem não quer vir por bem é dizer claramente que essa pessoa não é bem-vinda. A expressão diplomática para isso é declarar alguém 'persona non grata'. É exatamente isso que a República Portuguesa deve fazer", conclui.
No final de maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, condenou o "comportamento intolerável" de Itamar Ben-Gvir, na sequência do tratamento dado aos ativistas que seguiam a bordo de uma flotilha humanitária com destino a Gaza, entre os quais dois médicos portugueses.
Em declarações à RTP Antena 1, o deputado e co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, diz que a iniciativa pretende dar um sinal político claro de condenação das posições manifestadas por Ben-Gvir.
"A comunidade internacional, se quer ajudar a trazer a paz e a solução de dois Estados, tem de conseguir dar passos a favor da paz, mas também condenar todos os extremismos, todos os terrorismos, todos os apelos ao genocídio e à limpeza étnica, venham de onde vierem", defendeu.
Para Rui Tavares, o facto de Ben-Gvir integrar o Governo israelita torna ainda mais relevante uma resposta política por parte dos Estados.
"Não pode ser descartado como uma mera voz extremista no meio de uma série de outras. É alguém que tem responsabilidades e que tem promovido sistematicamente a limpeza étnica e o tratamento diferenciado de pessoas conforme sejam de religiões diferentes ou de povos diferentes", acrescentou Rui Tavares, que assinala: "Pior ainda, Ben-Gvir é alguém que tem apresentado e fomentado dentro do Governo de Israel planos práticos para a limpeza étnica de Gaza e para a colonização total da Cisjordânia".
São motivos que levam Rui Tavares a considerar que manter relações institucionais "normais" com o minsitro da Segurança Nacional de Israel significa contribuir para a normalização deste tipo de posições.
"Há um momento a partir do qual as coisas ficam tão extremadas, tão anti-direitos humanos, tão anti-paz, que já não podemos tratá-las como se fossem banais. Ben-Gvir já não pode ser tratado como meramente um governante de outro país do qual discordamos", sustentou.
O dirigente do Livre defende, por isso, que Portugal deve acompanhar outros países que já adotaram medidas contra membros do Governo de Benjamin Netanyahu.
"Ao propormos que a Assembleia da República recomende ao Governo a designação de Itamar Ben-Gvir como 'persona non grata', não estamos sequer a ser pioneiros", afirmou, referindo que países como o Reino Unido, a Austrália e a Noruega já adotaram medidas de "denúncia" ou "sanções dirigidas" a ministros israelitas.
Rui Tavares recorre, inclusive, a um jogo de palavras para justificar a proposta do Livre, que considera que Israel e o Governo israelita devem "pagar o preço político" por promoverem ações contrárias à paz.
"Temos um ditado português que se aplica aqui muito bem: Ben-Gvir não vem por bem. E o que se faz em Portugal a quem não quer vir por bem é dizer claramente que essa pessoa não é bem-vinda. A expressão diplomática para isso é declarar alguém 'persona non grata'. É exatamente isso que a República Portuguesa deve fazer", conclui.
No final de maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, condenou o "comportamento intolerável" de Itamar Ben-Gvir, na sequência do tratamento dado aos ativistas que seguiam a bordo de uma flotilha humanitária com destino a Gaza, entre os quais dois médicos portugueses.