Manifestantes contestam ação policial contra ativistas e governo basco promete investigar

Manifestantes contestam ação policial contra ativistas e governo basco promete investigar

Cerca de 2.000 pessoas, segundo as autoridades, manifestaram-se hoje no centro de Bilbau, País Basco, contra a atuação da polícia, após incidentes à chegada de ativistas da flotilha Global Sumud, que o governo local já prometeu investigar.

Lusa /
Manifestantes contestam ação policial contra ativistas e governo basco promete investigar Foto: Miguel Tona - EPA

A marcha, convocada pela Palestinaren Elkartasuna, começou depois das 13:00 locais (menos uma hora em Lisboa), com os manifestantes a exibirem um cartaz que dizia "Ertzaintza [polícia basca] e o Governo Basco, cúmplices do sionismo. Libertar a Palestina".

No início da marcha, as patrulhas policiais que avançaram à frente da manifestação ao longo da Gran Vía da cidade receberam apitos, insultos e gritos de "polícia assassina".

A bandeira da marcha foi empunhada, entre outros, por membros da flotilha pró-palestiniana, que anteriormente denunciaram numa conferência de imprensa as ações da Ertzaintza nos incidentes no aeroporto de Loiu, Bilbau.

Na sequência dos confrontos com agentes, quatro pessoas -- dois ativistas e dois apoiantes -- foram detidos por rebelião agravada, resistência à detenção e agressão a agentes da polícia, tendo sido libertados no próprio dia.

O ministro da Segurança do Governo basco, Bingen Zupiria, lamentou hoje os incidentes, bem como as "provocações" contra os agentes, cujas ações serão investigadas.

Zupiria assumiu "na primeira pessoa" a responsabilidade pelo que aconteceu e por investigar se os agentes que intervieram se ajustaram às regulamentações em vigor, além de analisar "o comportamento de algumas pessoas que causaram a situação".

No sábado à noite, a flotilha Global Sumud expressou "profunda indignação e condenação" pela "agressão violenta" da polícia contra vários ativistas e acusou a polícia basca de empregar "as mesmas táticas brutais normalizadas pelas doutrinas de segurança israelitas".

Segundo o Departamento de Segurança Basco, os Assuntos Internos da Ertzaintza iniciou uma investigação para verificar se as ações dos agentes estão de acordo com as instruções em vigor.

A flotilha denunciou numa declaração que, quando um familiar à espera no terminal de chegadas tentou atravessar uma barreira para abraçar os seus entes queridos, a Ertzaintza respondeu "de forma súbita e chocante, com violência".

Segundo o relato da flotilha, entre os "atacados e espancados" pela polícia basca estavam pessoas que tinham acabado de ter alta dos centros médicos para regressar a casa, "com ferimentos graves e dolorosos sofridos durante a sua prisão em Israel, depois de terem sido raptados ilegalmente em águas internacionais europeias".

A organização exigiu uma investigação internacional "imediata e independente" sobre a violência coordenada desencadeada no aeroporto de Bilbau, examinando explicitamente "como as forças autónomas regionais iniciaram estas agressões brutais e como a polícia paramilitar estatal facilitou detenções arbitrárias de sobreviventes traumatizados."

Por fim, pediu a rescisão imediata de todos os contratos de segurança, vigilância e táticas entre instituições bascas e empresas de segurança israelitas.

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