Milhares de iranianos nas ruas de Teerão para assistir ao cortejo fúnebre de Khamenei

Milhares de iranianos nas ruas de Teerão para assistir ao cortejo fúnebre de Khamenei

As autoridades iranianas esperam um total de 15 a 20 milhões de pessoas só em Teerão para assistir ao cortejo fúnebre.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Majid Asgaripour - WANA via Reuters

O cortejo fúnebre do ayatollah Ali Khamenei iniciou a sua viagem pelas ruas de Teerão na manhã desta segunda-feira, no terceiro dia de um funeral nacional organizado pelo Governo iraniano.

Segundo a agência de notícias Tasnim e a emissora Press TV, milhões de pessoas estão nas ruas de Teerão para o funeral do falecido líder supremo do Irão, morto nos ataques aéreos israelitas e norte-americanos a 28 de fevereiro.

Domingo e segunda-feira foram declarados feriados nacionais para permitir que os iranianos participem nas cerimónias, enquanto as autoridades esperam um total de 15 a 20 milhões de pessoas só em Teerão, que tem mais de dez milhões de habitantes. Espera-se que o cortejo dure dez a 12 horas e passe, entre outros locais, pela icónica Rua Enghelab, cujo nome é em homenagem à revolução iraniana de 1970.

"Pedimos ao público que se reúna pacificamente na Praça Azadi, onde se espera o cortejo fúnebre”, disse o general Hassan Hassanzadeh, citado pela televisão estatal.

Fotografias tiradas pela AFP na manhã desta segunda-feira mostram centenas de pessoas, muitas vestidas de preto, algumas a agitar bandeiras iranianas ou retratos do falecido líder supremo. Uma pessoa segurava um cartaz com as palavras "Abaixo os Estados Unidos", e outra mostrava o presidente norte-americano Donald Trump coberto por um alvo.

Pessoas reunidas na Praça Imam Hussein, na zona leste da capital, "enforcaram simbolicamente Trump", disse a televisão estatal, que partilhou um vídeo que mostrava um manequim pendurado numa forca improvisada.
Funeral acontece na quinta-feira
O funeral de Ali Khamenei, que foi morto no primeiro dia da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, começou oficialmente no sábado.

O caixão esteve exposto durante dois dias na Grande Mosalla, um local religioso e político da capital, onde os iranianos se reuniram para prestar a sua homenagem ao líder.

Ao seu lado jaziam os restos mortais dos seus familiares que morreram no mesmo ataque: uma das suas filhas, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses.

Segundo imagens transmitidas pela televisão estatal, três dos filhos de Ali Khamenei — Massoud, Mostafa e Meysam — chegaram ao Palácio de Mosalla, juntamente com vários líderes iranianos, mas não Mujtaba, atual Líder Supremo do Irão. Ferido nos atentados que mataram Khamenei, o líder de 56 anos não é visto em público deste então e tem comunicado apenas através de declarações que lhe são atribuídas.

Após o cortejo fúnebre, o caixão seguirá para Qom e depois para o Iraque, país com uma grande comunidade xiita.

O funeral terá lugar na quinta-feira na cidade sagrada de Mashhad, local de nascimento de Ali Khamenei.

Esta segunda-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o seu pais assassinou Khamenei por alegadamente liderar um "plano para destruir" Israel e ameaçou "eliminar" qualquer líder iraniano que tente promover tais ações.

Inicialmente agendado para março, o funeral de Khamenei foi adiado devido à guerra e acontece agora como uma demonstração de força, enquanto continuam as discussões com Washington.

No mês passado foi assinado um acordo-quadro com o objetivo de alcança uma solução duradoura para o conflito. As discussões estão agora numa fase técnica e deverão ser retomadas após o funeral.

c/agências
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