Netanyahu insiste que Israel "ainda não terminou o trabalho" contra Hezbollah
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, insistiu hoje que Israel "ainda não terminou o trabalho" contra o Hezbollah e referiu que o objetivo de desmantelar o movimento islamista libanês pró-iraniano "não será alcançado amanhã".
No primeiro dia de uma trégua de 10 dias com o Líbano, anunciada quinta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e numa mensagem em vídeo, Netanyahu indicou que a guerra contra o movimento xiita aliado de Teerão, retomada a 02 de março, permitiu afastar "duas ameaças provenientes do Líbano".
Uma "ameaça próxima", de "infiltração de milhares de terroristas" em solo israelita e de "disparos de mísseis anticarro contra as localidades", e uma "ameaça distante", a dos "mísseis e foguetes destinados a destruir as cidades de Israel".
"O Hezbollah de hoje já não passa de uma sombra do que era [...] mas digo-o com franqueza: ainda não terminámos o trabalho. Repito-o com toda a franqueza [...] o desmantelamento não será alcançado amanhã", acrescentou, dirigindo-se aos israelitas.
Hora antes, o ministro da Defesa israelita também afirmou que a operação militar de Israel no Líbano "ainda não terminou" e insistiu no objetivo final de desarmar o Hezbollah.
"As manobras no terreno no Líbano e os ataques contra o Hezbollah permitiram atingir muitos objetivos", mas a operação não está "concluída", declarou Israel Katz, que frisou que o exército israelita manterá as suas posições em "todas as zonas que desocupou e conquistou" no Líbano.
"O Exército israelita mantém e continuará a manter todas as zonas que desocupou e conquistou. A manobra terrestre dentro do Líbano e os ataques contra o Hezbollah em todo o país alcançaram numerosos progressos, mas ainda não foram concluídos", indicou.
Trump anunciou na quinta-feira um cessar-fogo entre o Líbano e Israel que abrange o Hezbollah, afirmando-se confiante de que o grupo aliado do Irão respeitará a trégua.
Pouco antes da declaração de Trump à comunicação social, o Hezbollah tinha garantido que irá respeitar o cessar-fogo, em vigor desde a meia-noite local (22:00 de quinta-feira em Lisboa), se Israel suspender totalmente as hostilidades.
Segundo os termos acordados pelos dois países em guerra desde 02 de março, a trégua tem uma duração prevista de 10 dias, durante os quais o Líbano e Israel deverão negociar um plano mais pormenorizado para alcançar uma paz duradoura.
O grupo xiita libanês Hezbollah afirmou já que os seus combatentes estão "prontos para atacar" caso Israel viole o cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor na quinta-feira à noite.
Em comunicado, o grupo pró-Irão afirmou ter realizado "2.184 operações militares" contra Israel e o exército israelita em território libanês durante os 45 dias de guerra. "Os combatentes vão manter o dedo no gatilho porque temem a traição do inimigo", acrescentou.