Nova troca de tiros na fronteira israelo-libanesa pelo 24.º dia consecutivo
Milícias do sul do Líbano dispararam hoje mísseis antitanque contra dois postos do exército israelita, que respondeu com ataques de artilharia, numa nova troca de tiros na fronteira, que já conta com 24 dias consecutivos de hostilidades.
Um porta-voz militar israelita informou que as tropas de Israel "atacaram uma célula terrorista que planeava lançar mísseis antitanque" para o território judaico.
Pouco depois, após a ativação de alarmes de ataques aéreos na comunidade fronteiriça de Metula, o exército israelita deu conta do disparo de dois mísseis, sem êxito, a partir do Líbano, aos quais respondeu com ataques de artilharia.
Os incidentes seguem-se a uma série de ataques realizados hoje de manhã por caças israelitas contra "infraestruturas terroristas" do grupo xiita libanês Hezbollah, incluindo "armamento e postos militares", afirmou o porta-voz militar israelita.
Desde 08 deste mês, um dia depois do início da guerra entre Israel e o grupo islamita Hamas em Gaza, o Hezbollah e as tropas israelitas têm estado envolvidas num intenso fogo cruzado nas zonas fronteiriças, onde também se registaram ações reivindicadas por fações palestinianas presentes em território libanês.
O Hezbollah reivindicou a responsabilidade por quatro ataques contra o norte de Israel hoje, alegadamente causando baixas entre as forças israelitas e a destruição de um tanque Merkava. Por seu lado, o exército israelita afirmou ter respondido ao ataque do Hezbollah com fogo de artilharia.
A violência continua a aumentar, com ambas as partes a atacarem alvos cada vez mais afastados da fronteira, embora ainda circunscritos a um determinado raio.
Os ataques a partir do Líbano intensificaram-se a partir de sábado, na sequência da expansão das operações terrestres israelitas em Gaza na noite de sexta-feira, em paralelo com o pior bombardeamento do enclave desde o início da guerra.
A escalada de tensão na fronteira, a mais elevada desde 2006, matou pelo menos 71 pessoas: oito em Israel - sete soldados e um civil - e pelo menos 63 no Líbano, incluindo oito civis, entre os quais um operador de câmara da Reuters, 49 membros do Hezbollah e seis membros de milícias palestinianas.
O incidente também suscitou o receio de que o Líbano se possa tornar uma segunda frente na guerra de Gaza, algo que o governo libanês está a tentar evitar através de contactos no país e no estrangeiro.
O líder do Hezbollah, Hassan Nasrala, deverá fazer na próxima sexta-feira o primeiro discurso desde o início da violência, intervenções que são normalmente transmitidos na televisão pró Hezbollah e em ecrãs gigantes em eventos organizados pelo grupo xiita.