Novo líder do Hamas morto em ataque israelita

Novo líder do Hamas morto em ataque israelita

Israel anunciou esta quarta-feira que matou o novo alegado líder do braço armado do movimento islamita palestiniano Hamas, alvo de um ataque na Faixa de Gaza no dia anterior, apesar do cessar-fogo que deveria estar em vigor desde outubro.

Cristina Sambado - RTP /
Ebrahim Hajjaj - Reuters

"O comandante do braço armado da organização terrorista Hamas em Gaza foi eliminado ontem", escreveu o ministro israelita da Defesa, Israel Katz, numa mensagem na rede social X.

Em comunicado conjunto, o exército israelita e o Shin Bet, a agência de segurança interna de Israel, confirmaram que Mohammed Odeh, que "ocupava o cargo de chefe do braço armado do Hamas após a eliminação de Ezzedine al-Haddad" (a 15 de maio, num ataque israelita), foi morto num "ataque no norte da Faixa de Gaza".

Mohammed Odeh chefiava há muito os serviços de informação das Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas. A sua nomeação como chefe das Brigadas, sucedendo a al-Haddad, nunca foi anunciada ou confirmada pelo movimento islamita palestiniano.

Pelo menos três palestinianos foram mortos e dezenas ficaram feridos no grande ataque de terça-feira, que atingiu um edifício residencial numa das zonas comerciais mais movimentadas da Cidade de Gaza, disseram médicos e testemunhas locais. 

Segundo o exército israelita e o serviço de segurança Shin Bet, os edifícios que serviam de esconderijo a Odeh foram alvejados depois de os seus movimentos terem sido rastreados durante vários meses. O Hamas ainda não comentou.

Acrescentaram que também atingiram "um apartamento próximo pertencente a um terrorista do Hamas que participou no ataque de 7 de outubro e fazia parte do círculo de auxiliares de Odeh", referindo-se ao ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel que desencadeou a guerra em Gaza.

O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na terça-feira que Odeh foi "um dos arquitetos do massacre de 7 de outubro".


"Odeh foi responsável pelo assassinato, rapto e ferimento de muitos cidadãos israelitas e soldados das Forças de Defesa de Israel", continuou o comunicado.

O antecessor no comando do braço armado do grupo, Izz ad-Din al-Haddad, foi morto noutro ataque aéreo israelita no início de maio.Ataques regulares a Gaza apesar do cessar-fogo
Este é o mais recente ataque israelita mortal em Gaza, apesar do cessar-fogo com o Hamas que começou em outubro.

O ataque atingiu os três andares superiores do edifício al-Kayali, no centro da Cidade de Gaza, onde as ruas estavam movimentadas com compradores na véspera do feriado muçulmano do Eid al-Adha.

As equipas de resgate acorreram ao local dos ataques, mas tiveram dificuldades em chegar aos pisos superiores devido à extensão dos danos e à aglomeração na área.

Testemunhas disseram que pelo menos cinco mísseis atingiram o edifício quase em simultâneo, vindos de diferentes direções.

Um morador disse ter ouvido o som de um helicóptero a sobrevoar o local antes do ataque.

Imagens do local mostraram ambulâncias e equipas da Defesa Civil a vasculhar o edifício danificado enquanto multidões se juntavam nas proximidades.

Este ataque também teve como alvo um edifício residencial e matou pelo menos três pessoas, segundo testemunhas e uma fonte local.

Israel tem realizado ataques regulares em Gaza desde o início do cessar-fogo, a 10 de outubro.O Hamas tem acusado repetidamente Israel de violar os termos do cessar-fogo e de atacar civis. O Ministério palestiniano da Saúde, controlado pelo Hamas, reportou a morte de mais de 900 pessoas em ataques israelitas durante o cessar-fogo.

O governo israelita afirma ter licença para atacar membros do Hamas e, por sua vez, acusou o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo ao não desarmar.

As fases finais de um plano de paz liderado pelos EUA para Gaza ainda não entraram em vigor, com o progresso a estagnar desde que os EUA e Israel iniciaram uma guerra com o Irão em Fevereiro.

Os EUA anunciaram o início da segunda fase do plano em janeiro, com a governação de Gaza assumida por uma administração tecnocrata de transição, a par da desmilitarização e reconstrução do território.

No entanto, as negociações sobre o desarmamento continuam num impasse, enquanto o Hamas reativou a sua força policial e parece estar a reafirmar a sua autoridade.

Na sua declaração, Netanyahu disse que Israel "continuará a perseguir qualquer pessoa que tenha participado no massacre de 7 de outubro", acrescentando: "Mais cedo ou mais tarde, Israel irá alcançá-los a todos".

Cerca de 1.200 pessoas foram mortas no ataque liderado pelo Hamas e outras 251 foram feitas reféns.

Israel respondeu lançando uma campanha militar maciça em Gaza, que reduziu grande parte do território palestiniano a ruínas e deixou muitos dos seus 2,1 milhões de habitantes deslocados.

As forças israelitas mataram mais de 72.800 pessoas em Gaza, segundo o Ministério israelita da Saúde, cujos números são considerados fiáveis pela ONU.

O mais recente ataque israelita a Gaza acontece depois de 31 pessoas terem sido mortas em ataques israelitas no Líbano, onde Netanyahu prometeu intensificar a ação militar contra o grupo armado Hezbollah. Os militares israelitas afirmaram que os seus ataques visaram infraestruturas e combatentes do Hezbollah.

c/agências 
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