Pelo menos 47 mortos em vaga de ataques israelitas hoje no Líbano
O número de mortos nos ataques israelitas lançados hoje no Líbano subiu para 47, informou o Ministério da Saúde de Beirute, apesar do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, que inclui o território libanês.
O Centro de Operações de Emergência em Saúde atualizou para 47 mortos e 97 feridos o balanço dos "intensos ataques aéreos israelitas" realizados desde a meia-noite até ao meio-dia de hoje no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, no leste do país.
O anterior balanço era de 21 mortos e 39 feridos.
Estes ataques, uma das vagas mais sangrentas desde o início do conflito, foram realizados no dia em que Israel e o grupo xiita Hezbollah acordaram um cessar-fogo, segundo fontes norte-americanas e regionais citadas pelas agências Associated Press (AP) e France-Presse (AFP), e também noticiado pela imprensa israelita, sendo ainda incerto se este compromisso já está em vigor.
Israel e Hezbollah não confirmaram ainda o cessar-fogo, que decorre do memorando de entendimento finalizado por Estados Unidos e Irão.
Já depois de ter sido noticiado o acordo entre Israel e o grupo libanês apoiado por Teerão, um ataque aéreo atingiu a cidade de Sejoud, no sul do Líbano, informou a Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA).
A agência também relatou voos de drones em aldeias próximas da cidade de Tiro, no sul do país, enquanto um correspondente da AFP testemunhou disparos de artilharia em Nabatiyeh.
As localidades mais atingidas pelos ataques israelitas durante a última madrugada e manhã de hoje foram Harouf e Haboush, com nove e sete mortos respetivamente, e pelo menos duas crianças morreram em Doueir e Arab Salim, também no sul, segundo o comunicado das autoridades libanesas.
Israel lançou ainda dois ataques contra o leste do Líbano, incluindo Tal Abyad, na região de Baalbek, que resultaram na morte de três pessoas, no dia em que o exército israelita confirmou a morte de quatro soldados, já depois do anúncio do entendimento entre Washington e Teerão.
Um responsável do grupo xiita libanês, citado sob anonimato pela AP, disse que os mediadores tentaram implementar um cessar-fogo e que um acordo poderia ser anunciado em breve, mas não confirmou se já está em vigor.
Anteriormente, o Hezbollah afirmou que irá "defender o território e o povo libanês dos ataques israelitas" e acusou o Israel de violar o cessar-fogo acordado por Estados Unidos e Irão.
O porta-voz militar de Israel, Effie Defrin, afirmou pelo seu lado que o exército não recebeu novas instruções do Governo e que as suas unidades estavam a operar numa "zona de defesa avançada" no Líbano e continuarão a fazê-lo.
O memorando de entendimento fechado esta semana entre Estados Unidos e Irão, sobre a guerra no Médio Oriente, iniciada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, estipula "o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano.
O texto prevê também que a integridade territorial libanesa deve ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.
A continuação dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, em plena fase final das negociações preliminares com o Irão, levou o Presidente norte-americano, Donald Trump, a manifestar publicamente desapontamento com o aliado israelita.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, avisou na quinta-feira que Trump é "o único chefe de Estado no mundo inteiro que simpatiza com a nação de Israel neste momento, e por acaso é o chefe de Estado da maior superpotência".
Reconhecendo que "Israel tem o direito de se defender, mas, fundamentalmente, os israelitas - como todos os outros - devem respeitar este processo de paz", o dirigente norte-americano afirmou também que, se estivesse no poder em Telavive, "talvez não atacasse o único aliado poderoso que resta no planeta".
JD Vance vai liderar a delegação norte-americana nas previstas negociações subsequentes durante um prazo de 60 dias na Suíça com o Irão com vista a um acordo de paz definitivo.
Os enviados iranianos não viajaram porém como planeado para a Suíça, insistindo que os combates no Líbano devem cessar antes que as conversações possam ter lugar, de acordo com três autoridades regionais e uma quarta fonte familiarizada com o assunto à AP.
O vice-presidente dos Estados Unidos também adiou a sua viagem.
O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 3.912 pessoas morreram e 12.001 ficaram feridas, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Israel e o Governo do Líbano têm desenvolvido conversações inéditas de paz com o patrocínio de Washington, que no entanto não foram reconhecidas pelo Hezbollah, tal como a trégua entretanto acordada pelos negociadores libaneses e israelitas.