Pontes e aeroporto perto do estreito de Ormuz atacados pelos EUA
Ataques aéreos norte-americanos atingiram hoje à noite um aeroporto e duas pontes no sul do Irão, perto do estreito de Ormuz, segundo media estatais iranianos.
Duas pontes foram atingidas na região de Bandar Khamir, matando duas pessoas e ferindo quatro, informou a emissora estatal iraniana IRIB numa publicação na rede social Telegram.
A mesma fonte referiu ainda que o Aeroporto de Iranshahr (sudeste) foi atingido por "pelo menos um projétil do inimigo americano".
Uma estação ferroviária em Bandar Abbas foi também "alvo do inimigo norte-americano", segundo a IRIB, que reportou dois feridos no local.
Também esta noite, a imprensa estatal iraniana noticiou uma série de explosões que abalou várias áreas no sul do Irão, após o anúncio dos Estados Unidos de uma nova ronda de ataques aéreos.
A cidade portuária de Bushehr, que alberga a única central nuclear do país, foi alvo dos ataques, segundo o governador, citado pela televisão estatal, que afirmou que "a agressão do inimigo americano continua".
Explosões também foram ouvidas na cidade costeira de Bandar Abbas.
A agência de notícias estatal IRNA noticiou ataques nas proximidades de Ahvaz, onde residentes assustados disseram à agência France-Presse (AFP) que ouviram intensos ataques aéreos pela segunda noite consecutiva.
Na terça-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha ameaçado ordenar ataques contra pontes e centrais elétricas iranianas se Teerão não regressar à mesa das negociações.
Nas últimas 24 horas, os Estados Unidos lançaram novas salvas de bombardeamentos contra o Irão, que atacou países da região aliados de Washington, num cenário que se repete há vários dias.
À semelhança do que aconteceu no período mais intenso do conflito, as ameaças continuam de ambos os lados. Embora as infraestruturas petrolíferas e de gás do Golfo permaneçam, para já, poupadas, Teerão advertiu que destruirá infraestruturas no Médio Oriente caso as suas sejam atacadas.
Os confrontos foram retomados a 07 deste mês, após ataques contra navios no Golfo atribuídos ao Irão. Desde então, os bombardeamentos atingiram uma intensidade sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, comprometendo os esforços diplomáticos para alcançar uma solução duradoura.
O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por bombardeamentos israelitas e norte-americanos, provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, e continua a afetar a economia mundial.
O Paquistão, que tem desempenhado um papel de mediador, pediu às duas partes para que "ponham fim à violência e retomem as negociações", no âmbito do memorando de entendimento assinado em meados de junho, entretanto considerado sem efeito.
Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) transportados por via marítima a nível mundial passava pelo estreito de Ormuz. Atualmente, o tráfego diminuiu significativamente, tendo sido contabilizados apenas 13 navios comerciais na terça-feira, indicou a empresa de monitorização marítima Kpler.