Teerão deixa ameaça após alegada viagem de Netanyahu aos Emirados

Teerão deixa ameaça após alegada viagem de Netanyahu aos Emirados

O Irão advertiu que "aqueles que se aliam a Israel para semear a discórdia serão responsabilizados", após o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter revelado uma alegada visita secreta aos Emirados Árabes Unidos.

Lusa /
Ramil Sitdikov - Pool via Reuters

Numa mensagem publicada na noite de quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano disse que Teerão já tinha conhecimento "há muito tempo" da visita que Netanyahu alega ter feito aos Emirados.

Abbas Araghchi declarou nas redes sociais que "Netanyahu revelou agora publicamente o que os serviços de segurança iranianos já tinham confirmado há algum tempo".

"Inimizade com o grande povo do Irão é uma aposta insensata. Conluio com Israel a este respeito: imperdoável", afirmou Araghchi, alertando "aqueles que se aliam a Israel para semear a discórdia" que "serão responsabilizados".

Horas antes, o gabinete de Netanyahu anunciou que o primeiro-ministro visitara secretamente os Emirados durante a ofensiva israelo-norte-americana contra o Irão, tendo sido recebido pelo Presidente, o xeque Mohammed bin Zayed Al-Nahyan.

"Em pleno decurso da operação [militar], o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, efetuou uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos", indicou um comunicado oficial.

Pouco depois, o governo dos Emirados desmentiu, num comunicado, o gabinete de Netanyahu.

"Os Emirados Árabes Unidos desmentem as informações que circulam sobre uma alegada visita do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aos Emirados ou a receção de qualquer delegação militar israelita no país", garantiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Na terça-feira, o embaixador dos Estados Unidos em Israel afirmou que o Estado hebreu tinha enviado aos Emirados, durante a guerra com o Irão, sistemas de defesa antiaérea e pessoal encarregado de os operar.

Sem confirmar esta informação, o comunicado do gabinete de Netanyahu assegurou que a visita "levou a um avanço histórico nas relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos".

Os Emirados têm sido alvos quase diários do Irão durante a guerra no Médio Oriente, que começou a 28 de fevereiro com o ataque conjunto dos EUA e de Israel a Teerão.

Um cessar-fogo entrou em vigor a 08 de abril, mas Abu Dhabi relatou desde então vários ataques com mísseis e drones originários do Irão.

Os Emirados, que possuem grandes reservas de petróleo, são um dos principais aliados dos EUA na região e estão entre os poucos países árabes que normalizaram as relações com Israel após a assinatura dos Acordos de Abraão durante o primeiro mandato do Presidente republicano, Donald Trump, em 2020.

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