Trump avisa Israel que ninguém lhe dita venda de caças F-35 à Turquia

Trump avisa Israel que ninguém lhe dita venda de caças F-35 à Turquia

O Presidente norte-americano avisou hoje que ninguém lhe dita as armas que os Estados Unidos vendem a outros países, sobre a oposição de Israel a uma transferência de caças F-35 para a Turquia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Ele é meu amigo, e ninguém me diz o que lhe devemos vender", disse Donald Trump a propósito do homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, falando aos jornalistas a bordo do avião presidencial a caminho de Michigan.

O dirigente norte-americano observou que "a Turquia não é grande fã de Israel nem de Bibi", referindo-se à alcunha do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e sublinhou que Ancara é um "grande aliado" dos Estados Unidos.

Durante a cimeira da NATO realizada no início deste mês na capital turca, Trump confirmou que está a considerar a venda de caças F-35 à Turquia e o levantamento do veto imposto desde que Ancara adquiriu os sistemas antimíssil russos S-400 em 2017.

Israel manifestou oposição a esta possível venda, argumentando que ia alterar o equilíbrio militar no Médio Oriente e pôr em perigo a superioridade aérea israelita.

Trump vai receber Netanyahu na Casa Branca na terça-feira e espera-se que o encontro se concentre no conflito com o Irão, iniciado pelos dois países em 28 de fevereiro, e nos esforços de Washington para chegar a um acordo com Teerão.

Nas declarações a bordo do "Air Force One", Donald Trump reconheceu ter "pequenas diferenças" com Netanyahu sobre o desenvolvimento da guerra no Médio Oriente, ainda que ressalve que ambos continuam "muito próximos" nas suas posições.

Há meses que Trump procura um acordo com Teerão para pôr fim a uma guerra impopular entre o eleitorado norte-americano e que fez disparar os preços dos bens petrolíferos, enquanto Netanyahu teme que um pacto entre Washington e a República Islâmica fortaleça o principal país rival na região.

Embora Trump tenha elogiado publicamente o líder israelita, que descreveu como "um primeiro-ministro em tempo de guerra", também admitiu tê-lo chamado de "doido" durante uma tensa conversa telefónica em junho passado sobre os ataques de Israel no Líbano, que ameaçavam um entendimento com Teerão.

Será o oitavo encontro de ambos desde que o Trump regressou à Casa Branca, em janeiro do ano passado.

A última reunião de ambos decorreu em fevereiro na Sala Oval, antes do início da ofensiva militar contra o Irão.

Antes, o Presidente norte-americano disse que as negociações com o Irão têm "boas hipóteses" de produzir resultados, após uma suspensão de vários dias consecutivos de ataques contra a República Islâmica.

O Irão avisou, no entanto, não estar envolvido em quaisquer negociações com os Estados Unidos, apesar da recente cessação das hostilidades entre os dois países e dos relatos de contactos dos países mediadores do Médio Oriente com a diplomacia de Teerão.

Se as negociações falharem, o líder norte-americano insistiu na ameaça de que as forças norte-americanas vão retomar os ataques aéreos.

Antes de se pronunciar no avião presidencial, Trump tinha afirmado, durante uma entrevista ao portal norte-americano Axios, que ordenou a suspensão dos bombardeamentos contra o Irão para dar mais uma possibilidade às negociações de paz.

"Estamos em negociações muito profundas com o Irão. Se não resultarem, voltaremos a tomar medidas militares muito fortes", advertiu durante a entrevista.

Questionado sobre o prazo que está disposto a dedicar à diplomacia, respondeu: "Não muito tempo. Ou avança depressa ou não avança de todo".

O dirigente norte-americano disse ter concordado na passada sexta-feira com a suspensão dos ataques contra a República Islâmica a pedido dos aliados no Médio Oriente, que estão a mediar o conflito.

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