Trump e Netanyahu terminam reunião "positiva e construtiva"
O encontro do presidente norte-americano e o primeiro-ministro israelita falaram durante hora e meia, num diálogo dito de "positivo e construtivo", segundo uma nota da Casa Branca.
Donald Trump recebeu esta tarde o primeiro-ministro israealita na Casa Branca. O conflito no Médio Oriente estava no topo da agenda dos dois líderes.
Do encontro de pouco mais de uma hora e um quarto foram apenas divulgadas fotografias. A reunião aconteceu à porta fechada e longe dos jornalistas e das câmaras de televisão. A Casa Branca refere apenas que a reunião foi positiva.
"O Presidente Trump acaba de concluir as suas reuniões na Sala Oval com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro Netanyahu. Ambas as reuniões foram positivas e construtivas", escreveu a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na rede social X.
Benjamin Netayahu viajou esta terça-feira pela oitava vez para reuniões em Washigton com o presidente norte-americano: neste encontro os próximos passos no conflito com o Irão, os Acordos de Abraão e a questão libanesa terão sido temas centrais da conversa.
Antes da reunião entre os dois líderes na Casa Branca, o embaixador de Israel nas Nações Unidas antecipava o encontro para lembrar que Israel combateu ao lado dos Estados Unidos. Afirmou ainda que Telavive está disposta a seguir qualquer decisão de Trump sobre o que diz serem as constantes violações de Teerão ao momorando de entendimento para a paz.
Esta foi a primeira reunião de Trump e Netanyahu desde que Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva militar contra o Irão.O encontro contou com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, do chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, e do enviado da Casa Branca Steve Witkoff.
A reunião ocorreu depois de Donald trump e Benjamin Netanyahu terem assistido às cerimónias fúnebres do senador republicano Lindsey Graham, um fervoroso defensor de Telavive.
Surge também numa fase em que os líderes dos Estados Unidos e de Israel mantêm divergências públicas sobre o desenvolvimento do conflito no Médio Oriente.
O último encontro presencial teve lugar em 11 de fevereiro na Sala Oval, a poucas semanas do ataque ao Irão, mas ambos relatam conversas telefónicas frequentes desde então.
Cinco meses mais tarde, Trump procura uma solução negociada para um conflito impopular no seu país e que fez disparar os preços dos bens petrolíferos, além de provocar desentendimentos com vários aliados e com o próprio Netanyahu, com o qual reconheceu, na segunda-feira, ter "pequenas diferenças", ainda que ressalve que os dois partilham posições "muito próximas" sobre a guerra.
Ao mesmo tempo, avisou o líder israelita que ninguém pode ditar as armas que os Estados Unidos vendem a outros países, quando questionado sobre a oposição de Israel a uma possível transferência de caças F-35 para a Turquia.
Já hoje e a poucas horas da reunião na Casa Branca, Trump expressou desagrado com a divulgação pelo primeiro-ministro israelita da fortificação de um `bunker` nuclear iraniano, acusando-o de tentar manter os Estados Unidos em guerra com a República Islâmica.
O executivo de Netanyahu não esconde pelo seu lado o desejo de prosseguir a ofensiva contra o seu principal adversário na região.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou hoje que Israel está "muito ansioso" com o regresso da ofensiva, mas que os Estados Unidos estão a adiá-lo por receio de represálias contra países da região e de uma crise global no abastecimento de petróleo.
"Vamos discutir todos os temas (...) em primeiro lugar, o Irão, naturalmente, o nosso objetivo é garantir a nossa segurança, mas também expandir o perímetro de paz à nossa volta", observou Netanyahu antes de deixar Israel na segunda-feira.
O primeiro-ministro apresenta-se em plena pré-campanha de reeleição e com o objetivo de demonstrar que a sua relação de proximidade com Washington continua forte apesar das tensões recentes.
Trump tem no entanto evitado comentar se o apoia nas próximas eleições em Israel, marcadas para 27 de outubro.
c/ Lusa