UE quer dar resposta coordenada ao aumento dos combustíveis sem alterar caminho de descarbonização

UE quer dar resposta coordenada ao aumento dos combustíveis sem alterar caminho de descarbonização

Os ministros da Energia estiveram reunidos em Bruxelas para analisar formas de responder aos aumentos no sector sobretudo se os preços continuarem a subir nos próximos dias. Maria da Graça Carvalho diz que o objetivo é coordenar a reação ao nível europeu sem alterar o caminho já definido para a descarbonização e sem alterar as regras de mercado.

Andrea Neves, correspondente da Antena 1 em Bruxelas /
Reuters

Enfrentar a crise de forma coordenada evitando medidas diferentes de Estado para Estado. Maria da Graça Carvalho diz que é o objetivo das medidas que os ministros da energia discutiram hoje para serem analisadas na reunião dos chefes de estado e de governo a partir de quinta-feira.

A ministra da Energia diz que no caso de Portugal há situações que podem ser acauteladas sem ser preciso recorrer a novas leis ou autorizações de Bruxelas “Assim que os aumentos do gás, que têm muita importância para a indústria e para sectores que são importantíssimos em Portugal – como o vidro, a cerâmica, e parte do sector têxtil que também usa o gás – caso aconteça um grande aumento, o Governo terá medidas para a acompanhar e para ajudar os setores industriais. Fazemos a monitorização dos preços diariamente e temos um conjunto de medidas prontas a implementar, caso seja necessário”.

Agir, eventualmente, para ajudar os consumidores e as empresas, no preço do gás, como já está o governo a fazer no preço dos combustíveis, diz a ministra, e também no gás de botija

“É muito simples de implementar: se o valor continuar a aumentar e for um valor insuportável – e são as pessoas mais vulneráveis que utilizam o gás de botija – nós poderemos já pagamos 15 € por botija, poder aumentar para 20 € por botija”.

Maria da Graça Carvalho reforça que “o valor do gás ainda não aumentou para o que nós consideramos crítico, mas estamos preparados”.

“Se chegar a um amento crítico, temos que atuar junto da indústria, temos que atuar junto dos cidadãos que usam gás. E temos isso preparado. Não é difícil de aplicar no gás de para a indústria e também não é preciso legislação extra, legislação europeia nem autorizações especiais da DG Concorrência. Isso já está acautelado. Na crise de 2022, houve muito legislação que foi produzida e já fizemos esse exercício de estudar e de ver as várias possibilidades que estão ao nosso alcance”.
Agir em conjunto na União Europeia
Maria da Graça Carvalho diz que o objetivo dos 27 é reagir mas sem mudar o caminho.

Temos um rumo traçado para 2030 para 2040 e queremos manter esse rumo e reagimos com medidas pontuais, transitórias. Mas não mudamos a legislação e não mudamos o nosso caminho”.

A descarbonização e a aposta nas energias renováveis é para manter, ao nível comunitário. As reações a este aumento de preços, que não é uma diminuição da quantidade disponível, devem ser coordenadas e decididas esta semana pelos Chefes de Estado e de Governo.

“O que está combinado é que as medidas sejam tidas em consonância com os 27 Estados-Membros. Nós devemos enfrentar a crise em conjunto e ter uma atitude coordenada para ter soluções para esta crise e, portanto, estamos a evitar que haja soluções diferentes de Estado para Estado”.

Manter o caminho já traçado no sentido da descarbonização é também o que defendeu o comissário para a energia
que reconhece que “todos concordamos que queremos a redução dos preços. Ao mesmo tempo, temos de admitir que não agimos com a rapidez suficiente para implementar algumas medidas que sabemos que reduziriam os preços”

Dan Jorgensen quer medidas concretas, direcionadas e temporárias
e referiu que “na União Europeia, na verdade, não estamos assim tão dependentes da importação de combustível, seja gás ou petróleo, da região. Portanto, não temos um problema de segurança de abastecimento, mas sim um problema de preço, porque quando os preços no mercado mundial sobem, isso também nos afeta”.

“Ou seja, estamos bem cientes de que precisamos não só de monitorizar a situação, como naturalmente fazemos, mas também de nos prepararmos, uma vez que a situação pode agravar-se ainda mais e precisamos de estar prontos para implementar medidas de curto prazo para tentar ajudar os Estados-Membros nesta situação” referir o comissário.

Neste sentido, a ministra da energia diz que notou, nesta reunião, “uma maior aceitação de que o caminho que nós fizemos em Portugal é um caminho mais favorável, porque estamos na verdade, numa posição mais independente em relação aos combustíveis fósseis”.

“Claro que temos uma dependência ainda grande no sector dos transportes. O sector dos transportes é um sector que nos preocupa – principalmente o diesel e o jet fuel que são os que estão a subir mais de preço – mas na produção de eletricidade nós diversificamos muito, nós somos muito menos dependentes de gás”.

Maria da Graça Carvalho reforça que “diversificamos os países de origem, os as rotas de fornecimento. Nós não temos nenhum país de origem daquela zona do globo. Não passa por ali nenhuma das nossas importações e importamos uma percentagem muito mais reduzida do que em 2022 de gás”.

“Portanto, fizemos o trabalho que nos propuseram e eu acho que é o trabalho certo. Não o fizemos por ser bons alunos ou bem-mandados. Fizemos porque é o que há a fazer. Há países que se atrasaram e podemos ser compreensivos, dar um pouco mais de tempo, mas não mudar as regras, não inverter o caminho. Porque inverter o caminho quer dizer ficar cada vez mais dependente de combustíveis fósseis. Resolve temporariamente esta crise, mas daqui a pouco tempo, há uns anos poderá haver uma crise ainda maior, porque nós não nos libertamos dos combustíveis fósseis que a Europa não tem”.

Com o aumento dos preços da energia alguns países sugeriram a abertura de diálogo com a Rússia no que se refere a energia. A Bélgica foi o último Estado-membro a sugerir essa possibilidade.

Dan Jorgensen, o comissário para a energia, diz que seria um erro que a União não pode repetir.

“Nós, na Europa, não podemos ajudar a financiar diretamente a guerra brutal e ilegal da Rússia. E temos estado dependentes da energia da Rússia durante demasiado tempo, o que possibilitou que Putin nos chantageasse energicamente, possibilitou que Putin usasse a energia como uma arma contra nós. Seria um erro repetirmos o que fizemos no passado. Portanto, o sinal é muito claro. No futuro, não importaremos sequer uma molécula da Rússia”.
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