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UE sem acordo para suspender acordo de associação com Israel diz Kallas

UE sem acordo para suspender acordo de associação com Israel diz Kallas

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) afirmou hoje que os ministros dos Negócios Estrangeiros não chegaram a acordo para suspender o acordo de associação com Israel, mas salientou que as discussões sobre esta questão vão continuar.

Lusa /
Gleb Garanich - Reuters

Em conferência de imprensa após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo, Kaja Kallas referiu que, durante o encontro, alguns Estados-membros apresentaram propostas "para suspender, total ou parcialmente, o acordo de associação" e "impor restrições ao comércio" proveniente de colonatos na Cisjordânia.

"Outros Estados-membros manifestaram a sua oposição a essas propostas. Tendo em conta que a suspensão [total] do acordo requer unanimidade, não se chegou ao apoio necessário e, quanto às medidas que já estavam em cima da mesa e que requerem maioria qualificada, também vai ser necessário que os Estados-membros mudem de posição. Isso não se verificou hoje", referiu.

Kaja Kallas afirmou, contudo, que "as discussões sobre este assunto" vão continuar e, questionada se, no que se refere à suspensão do acordo de associação, viu alguma mudança de posição dos Estados-membros, respondeu que não.

"Houve novas propostas relacionadas com o comércio e eu prometi levá-las ao comissário do Comércio [Maros Sefcovic] porque, para discutirmos essas propostas, tendo em conta as disposições jurídicas, é preciso que seja a Comissão Europeia a pôr uma proposta em cima da mesa", disse.

No que se refere à situação nos territórios palestinianos, nomeadamente na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referiu que a UE vai continuar a "pedir melhor acesso humanitário" e a "condenar as apropriações ilegais por Israel de terras na Cisjordânia", além de manter o apelo para o desarmamento do grupo extremista palestiniano Hamas.

Interrogada se, nos seus contactos a nível internacional, tem ouvido queixas de parceiros quanto a uma eventual duplicidade de critérios da UE no que se refere a Israel, Kallas disse que, pelo contrário, tem sentido que "a credibilidade da UE está a crescer".

"Se se vir o que está a acontecer em diferentes cenários, por exemplo na questão palestiniana, nós temos sido os maiores apoiantes da Palestina no que se refere ao apoio prestado ao povo palestiniano, à Autoridade Palestiniana, aos refugiados palestinianos e à reconstrução da Palestina", referiu.

Kallas disse que, sempre que houve algum país a levantar a questão de uma eventual duplicidade de critérios da UE, pergunta-se sempre se esse país está a fazer mais pela Palestina do que o bloco e revela-se que a "UE faz sempre mais".

"Claro que agora há mais pedidos, porque, onde quer que eu vá, toda a gente nos pede ajuda. Nós somos os maiores apoiantes no Sudão, na Somália... Posso dar exemplos em todo o mundo. Por isso, eu contesto verdadeiramente essa questão", frisou.

A Alta Representante reconheceu que a UE não tem um "acordo total" em muitas matérias da sua relação com a Palestina, mas deixou uma pergunta.

"A suspensão do acordo de associação vai parar a expansão de colonatos na Cisjordânia? Provavelmente não, mas as propostas estão em cima da mesa. Ainda não temos um acordo, vamos focar-nos nas coisas onde há efetivamente um acordo", pediu.

O acordo de associação entre a UE e Israel tem sido frequentemente contestado no bloco desde o início da guerra na Faixa de Gaza, mas voltou à ordem do dia com a ofensiva israelita no Líbano, a extensão de colonatos na Cisjordânia e a aprovação, no parlamento israelita, da pena de morte para palestinianos condenados por ataques terroristas.

Na semana passada, mais de um milhão de cidadãos da UE assinaram uma petição em que pediam a suspensão desse acordo e, entretanto, o líder do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que Madrid iria apresentar hoje aos ministros uma proposta nesse sentido.

No entanto, a suspensão do acordo tem encontrado a oposição de países como a Alemanha, Itália, República Checa ou Hungria.

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