Um morto e três feridos em atropelamento de autocarro em protesto ultraortodoxo em Jerusalém
Um jovem de 18 anos morreu e outras três pessoas ficaram feridas após um autocarro ter atropelado manifestantes judeus ultraortodoxos durante um protesto em massa em Jerusalém, revelou hoje a Cruz Vermelha em Israel.
O condutor foi detido e disse à polícia que estava a tentar abandonar o local, que estava cheio de manifestantes que lhe bloqueavam o caminho, segundo os meios de comunicação social locais, que indicaram que o caso está a ser investigado.
Conforme a Magen David Adom (MDA), equivalente israelita da Cruz Vermelha, dois dos três feridos têm 14 e 17 anos.
"Recebemos uma chamada a informar que vários peões foram atropelados por um autocarro durante um protesto. Quando chegámos ao local, presenciámos uma cena horrível: havia muita confusão e um jovem, de aproximadamente 18 anos, estava preso debaixo do autocarro. Realizámos exames médicos e verificámos que não tinha pulso e não respirava", referiu o paramédico Eli Eisenbach, do MDA, citado no comunicado.
A polícia israelita estava a tentar dispersar os distúrbios da comunidade ultraortodoxa em Jerusalém durante o protesto, que, segundo alguns media, reuniu dezenas de milhares de manifestantes, quando o incidente ocorreu.
Objetos e ovos foram atirados contra os polícias, contentores de lixo foram incendiados, veículos foram bloqueados e jornalistas foram atacados, segundo os meios de comunicação social locais.
Os protestos em massa de hoje representam mais um episódio nas manifestações públicas em curso da comunidade judaica ultraortodoxa israelita, que enfrenta pressões de partidos nacionalistas dentro do Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para que renuncie à sua isenção do serviço militar.
A não contribuição dos judeus ultraortodoxos para o Exército israelita tem implicações até para o orçamento de defesa de Israel e para o sistema fiscal do país, aprofundando as divisões na sociedade e no Governo de coligação de Netanyahu.
Estima-se que o número total de `haredim` ("os que temem a Deus" em hebraico), com idades compreendidas entre os 18 e os 26 anos, que não se alistaram possa chegar aos 80.000.
Os ultraortodoxos querem que o Governo aprove um plano que mantenha a maioria das isenções militares para os membros da sua comunidade.
Estas isenções, concedidas desde a fundação do Estado de Israel, permitem aos judeus que estudam a tempo inteiro numa escola religiosa evitar o serviço militar obrigatório.
Em junho de 2024, após o termo da disposição temporária que permitia as isenções (a questão nunca tinha sido ratificada por lei), o Supremo Tribunal ordenou que o Exército começasse a recrutar judeus ultraortodoxos.
Isto obrigou o Governo a apresentar legislação para manter a maioria das isenções, embora também tenha determinado o recrutamento de alguns ultraortodoxos.
A isenção do serviço militar para os judeus ultraortodoxos tornou-se ainda mais controversa desde o início da ofensiva israelita na Faixa de Gaza, o que levou o Governo a prolongar a duração do serviço militar obrigatório e a mobilizar dezenas de milhares de reservistas para sustentar a operação.