Wall Street encerra em alta graças a declarações de Trump apesar de desmentidas
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em alta, sustentada pela queda das cotações do petróleo, subsequente a afirmações de Donald Trump sobre contactos com o Irão, cujas autoridades o desmentiram de imediato.
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average e o tecnológico Nasdaq ganharam 1,38%, enquanto o alargado S&P500 avançou 1,15%. A praça bolsista não conhecia uma sessão positiva desde há cerca de uma semana.
Hoje, pouco antes da abertura, Trump anunciou um adiamento de "cinco dias" de qualquer ataque que tinha ameaçado fazer às centrais elétricas e infraestruturas energéticas iranianas.
Acrescentou, mais tarde, que Washington e Teerão tinham chegado a "pontos de acordo importantes", durante negociações feitas, adiantou, com um "alto dirigente" que não é o novo líder, Mojtaba Khamenei.
Não foi preciso mais para provocar uma queda acentuada das cotações do petróleo e uma franca subida das ações em Wall Street.
Os investidores "reagiram desde logo com um imenso alívio", disse Kevin Ford, da Convera.
Os custos da energia, que permanecem muito acima de onde estavam antes do início dos ataques israelo-norte-americano, ameaçam a economia internacional, o consumo das famílias e, por ricochete, os lucros das empresas.
O desmentido das autoridades iranianas sobre a existência de negociações só arrefeceu muito parcialmente o entusiasmo.
"Os investidores querem ultrapassar todos os outros e tomam decisões baseadas no que entendem, na base de suposições, mais do que de factos", sublinhou Sam Stovall, da CFRA, em declarações à AFP.
Em consequência, as ações "podem muito bem cair amanhã se Trump disser alguma coisa que contradiga o que se passou hoje", admitiu o analista.
Mas, anteviu, que "isso não vai acontecer", pelo que os índices bolsistas devem progredir durante mais uns dias.
As perspetivas económicas "têm piorado" com os ataques ao Irão e a reação deste, mas as afirmações de Trump permitiram um certo alívio, "e o entusiasmo especulativo está de regresso", apontou Jose Torres, da Interactive Brokers.
"É extremamente difícil operar nestes mercados, quando Trump oscila entre uma escalada massiva e declarações de paz ou de vitória, mas os investidores congratulam-se por enquanto por não entrar numa nova fase de perigo", segundo Neil Wilson, de Saxo Markets.