Santana Lopes quer votar para “Governo de quatro anos”
O candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, faz a apologia do programa "contido" apresentado por Manuela Ferreira Leite. O antigo primeiro-ministro afirma esperar que a matemática das eleições legislativas permita "uma solução de Governo estável, mesmo que não disponha de maioria absoluta no Parlamento".
Foi durante uma aula em Castelo de Vide, na tarde de sábado, que Marcelo Rebelo de Sousa fez a leitura de "um programa para duas eleições e não apenas para uma": "É um programa para as eleições de 27 de Setembro, mas é um programa que me parece pensado para a hipótese, plausível, de sair um Governo minoritário e de haver novas eleições dois anos depois".
O antigo presidente do partido afirmou, por outro lado, que o conjunto de propostas apresentado na quinta-feira por Manuela Ferreira Leite tem como "prioridades praticamente todas as questões que preocupam os portugueses", designadamente a economia, a saúde, a educação, a justiça e a segurança.
Marcelo Rebelo de Sousa não deixou de capitalizar os elogios de Joaquim Pina Moura ao programa do PSD. Em declarações ao semanário Expresso, o antigo ministro socialista afirmou que o documento programático dos sociais-democratas é "clarificador" e "divisor de águas", para além de ser "mais duro e mais focado" do que o programa do PS. Para Marcelo, os sociais-democratas tiveram ontem "uma boa surpresa" que "não pode deixar de ter importância política".
De baterias apontadas a José Sócrates, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que o primeiro-ministro deu "uma prova de fraqueza política" ao aceitar o modelo de frente-a-frente para os debates televisivos, depois de o ter recusado inicialmente.
Programa "não diz aquilo que não pode"
Mais tarde, caberia a Santana Lopes tecer elogios ao programa "contido" dos sociais-democratas. Na óptica do candidato do PSD à autarquia lisboeta, "está na altura de parar e olhar, para as pessoas não dizerem sempre as mesmas coisas nos programas".
"É por isso que eu gosto do programa da doutora Manuela Ferreira Leite. É contido e não diz aquilo que não pode, nem diz aquilo que não sabe", afirmou Santana Lopes, ao intervir no derradeiro jantar-conferência da Universidade de Verão do PSD. "Saber ao que dizer não de certeza e saber com convicção aquilo a que se pode dizer sim" é a receita que o antigo primeiro-ministro preconiza para o combate eleitoral.
Confrontado com a leitura de Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes disse querer votar "num Governo para quatro anos": "Não é bom os portugueses pensarem que das eleições sai um Governo para dois anos, espero que isso não aconteça".
"Espero que das eleições saia uma solução de Governo estável, mesmo que não disponha de maioria absoluta no Parlamento", reforçou o antigo governante, rejeitando, em linha com Ferreira Leite, o cenário de uma reedição do bloco central.
Manuela Ferreira Leite encerra hoje a Universidade de Verão do PSD, que este ano contou com as intervenções de figuras do partido como Luís Marques Mendes, Paulo Rangel, Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio.