Polícia brasileira desarticula rede acusada de desvios milionários de banco público
A Polícia brasileira lançou hoje uma operação contra uma rede fraudulenta investigada pelo desvio de mais de 500 milhões de reais (80 milhões de euros) de um dos principais bancos públicos do país.
Segundo a imprensa brasileira, alguns dos alvos da operação policial têm ligações ao Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais poderosas do país, com base no Rio de Janeiro.
Agentes da Polícia Federal cumpriram 43 mandados de busca e apreensão e procuram 21 suspeitos para prisão preventiva nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito da operação, segundo informou a corporação em comunicado.
A investigação teve início em 2024, a partir de indícios sobre a existência de uma rede criminosa "estruturada e destinada a obter vantagens ilícitas" à custa da Caixa Económica Federal, um banco público estratégico através do qual são geridos apoios sociais e programas de crédito do Governo federal.
O grupo aliciava funcionários de instituições financeiras e utilizava empresas de fachada, incluindo algumas ligadas a "um grupo económico específico", cujo nome não foi divulgado, para "a movimentação de fundos e a ocultação de recursos ilícitos".
De acordo com a imprensa local, um dos suspeitos é CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis.
Os trabalhadores dessas instituições financeiras eram responsáveis por introduzir dados falsos no sistema bancário para possibilitar levantamentos de dinheiro e transferências.
Esses recursos ilícitos eram posteriormente utilizados para comprar bens de luxo e criptomoedas, com o objetivo de dificultar o seu rastreio.
Além das cerca de vinte ordens de prisão preventiva, a Justiça determinou o arresto de imóveis, veículos e ativos financeiros até ao montante de 47 milhões de reais e ordenou o levantamento do sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas singulares e 172 pessoas coletivas.
Os investigados poderão enfrentar mais de 50 anos de prisão pelos crimes de "associação criminosa, burla qualificada, branqueamento de capitais, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, e crimes contra o sistema financeiro nacional", de acordo com a Polícia.
MIM // MLL
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