Abrantes contabiliza mais de 10 milhões de euros em prejuízos

Abrantes contabiliza mais de 10 milhões de euros em prejuízos

A Câmara de Abrantes estimou hoje que os prejuízos provocados pela tempestade Kristin, as cheias do Tejo e as chuvas intensas e persistentes das últimas semanas já ultrapassem os 10 milhões de euros, afetando sobretudo infraestruturas públicas.

Lusa /

"O que já apurámos ultrapassa os 10 milhões de euros, mas todos os dias surgem novas situações e prejuízos, que afetam famílias, empresas e estruturas privadas", disse o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS).

O autarca do município do distrito de Santarém disse que, "neste momento, as cheias estão ainda no nível azul, o que significa que as coisas estão a regressar à normalidade, mas ainda não está tudo resolvido".

"O rio Tejo está a voltar ao seu leito normal, as ribeiras estão a recuperar as suas formas naturais e já iniciámos trabalhos de limpeza e intervenções prioritárias", afirmou o autarca, dando conta de que os prejuízos continuam a ser avaliados.

Valamatos disse ainda que o município está a acompanhar os mecanismos de apoio do Governo e das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para agilizar a recuperação das zonas afetadas.

A tempestade Kristin afetou mais a zona norte do concelho, provocando derrocadas em estradas municipais, interdições em infraestruturas e danos em muitas habitações e vias de circulação.

O troço da Estrada Nacional 2, na zona do Espinhaço de Cão, permanece encerrado por decisão da Infraestruturas de Portugal, enquanto se aguardam condições de segurança para reabertura.

O encerramento tem gerado acréscimo de tráfego de veículos pesados e ligeiros dentro do centro da cidade, aumentando constrangimentos na circulação local, disse o autarca.

"Obviamente que nunca poderíamos estar contra uma posição destas, pois a prioridade é a segurança dos nossos cidadãos, mas queremos, em conjunto com a Infraestruturas de Portugal, encontrar rapidamente uma solução para normalizar o tráfego nesta zona", afirmou Valamatos.

O Jardim do Castelo, depois de derrocadas em algumas das muralhas, continua fechado ao público por razões de segurança, sendo realizadas intervenções técnicas em colaboração com entidades de património e cultura para garantir a integridade dos visitantes.

"Estamos a trabalhar para que o Jardim do Castelo possa reabrir o mais rapidamente possível, garantindo que todos os visitantes possam usufruir do espaço em total segurança", acrescentou o presidente da Câmara.

Valamatos sublinhou que este é um momento de retomar gradualmente a normalidade, apelando a que cidadãos, famílias e empresas sigam as propostas de apoio do Governo e os programas de recuperação financeira.

A Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém mantém o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo no nível azul (mínimo), após a descida dos caudais libertados pelas barragens e a redução do nível hidrométrico do rio.

Apesar da melhoria da situação, mantêm-se constrangimentos em diversas vias de vários concelhos do distrito de Santarém. Mais de uma centena de estradas continuam afetadas, devido a submersões, abatimentos de via, movimentos de massa, colapso de infraestruturas e quedas de taludes.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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