Chega mantém comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves na PJ apesar de moção de censura

Chega mantém comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves na PJ apesar de moção de censura

 O Chega vai manter a comissão de inquérito sobre os mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária mesmo depois de ter apresentado uma moção de censura ao Governo, anunciou hoje o presidente do partido.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Lisboa, 02 set 2026 (Lusa) -- O Chega vai manter a comissão de inquérito sobre os mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária mesmo depois de ter apresentado uma moção de censura ao Governo, anunciou hoje o presidente do partido.

"Com esta moção de censura, a comissão parlamentar de inquérito que o Chega anunciou precisamente à gestão de Luís Neves não fica de forma alguma colocada em causa", afirmou André Ventura, após anunciar a apresentação da moção, na sede do partido, em Lisboa.

O presidente do Chega indicou que, "se a moção de censura for aprovada, questão que depende essencialmente do Partido Socialista e se está ou não colado a Luís Neves, o Chega compromete-se a um regresso à comissão parlamentar de inquérito logo após o início de uma nova legislatura".

"Se a moção de censura não for aprovada por inviabilização do PS e do PSD, o Chega manterá no Parlamento a comissão parlamentar de inquérito como forma de exigir todo o escrutínio, toda a verdade e de não haver desculpas, como houve no passado, a que as irregularidades e as ilegalidades sejam atiradas para baixo do tapete e escondidas dos portugueses", referiu.

Ventura defendeu a "necessidade de escrutínio", que se "exige neste caso".

No final de julho, o Chega entregou na Assembleia da República um requerimento para forçar a constituição de comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, propondo que o Parlamento avalie se existiu "interferência ou condicionamento" político e também a eventual responsabilidade de membros do Governo.

Está previsto que esta comissão de inquérito arranque nas próximas semanas, após a retoma dos trabalhos parlamentares.

O partido quer que este inquérito parlamentar avalie a intervenção de Luís Neves durante o tempo em que esteve à frente da Polícia Judiciária (entre 2018 e este ano), bem como decisões tomadas que possam "evidenciar interferência ou condicionamento de natureza política ou partidária".

O Chega quer que seja também avaliada a "responsabilidade dos membros do governo responsáveis pela nomeação de Luís Neves como diretor da PJ, em 2018, 2021 e 2024, e [que] tutelaram a instituição" e verificadas as "razões que levaram Luís Neves e a PJ a serem afastados da investigação da Operação Influencer, que envolvia, o na altura, primeiro-ministro António Costa".

A comissão de inquérito deverá ainda verificar "todos os procedimentos internos adotados relativamente à entrega e destino de bens apreendidos no âmbito da investigação Pacoba, assim como quem autorizou tais procedimentos, com que fundamento jurídico e se foram observadas todas as normais legais e regulamentares" e aferir "se existem outras situações idênticas, com os mesmos protagonistas ou outros".

Sobre a empresa Construbarcelos, o Chega propõe que o Parlamento analise os contratos relativos às obras na PJ, nomeadamente "a necessidade das obras e proporcionalidade do custo" e que conclua ainda se existem conflitos de interesses por Luís Neves ter recorrido à mesma empresa para fins pessoais.

O Chega defende ainda que se verifiquem "as alegações de intimidações a jornalistas por parte de Luís Neves ou a seu pedido".

Tópicos
PUB