Presidente egípcio promulgou a nova Constituição
Cairo, 26 dez (Lusa) -- O Presidente egípcio, Mohamed Morsi, promulgou hoje a nova Constituição, aprovada em referendo por 63,8 por cento dos egípcios.
A câmara alta do parlamento egípcio, dominada pelos islamitas, reuniu-se também hoje para dar posse aos 90 nomes apontados por Morsi, esperando-se que aprove a lei que vai permitir realizar eleições para a câmara baixa.
A coligação opositora Frente de Salvação Nacional anunciou que vai candidatar-se à câmara baixa, que ao abrigo da nova Constituição tem poderes e competências para limitar a ação do Presidente.
Khaled Dawoud, porta-voz da coligação, disse que as forças opositoras reunidas na Frente vão "trabalhar juntas para entrar na eleição" e vão contestar legalmente o referendo por considerarem que a votação foi fraudulenta.
Os apoiantes da Frente de Salvação Nacional têm-se manifestado, desde o final de novembro, contra a Constituição, tendo-se registado confrontos violentos com apoiantes do Presidente Morsi.
A comissão nacional eleitoral anunciou na terça-feira à noite que 64 por cento dos eleitores que participaram nas duas voltas do referendo -- a 15 e 22 de dezembro -- apoiaram a nova lei fundamental. Segundo a comissão, a taxa de participação foi de 33 por cento.
Cristãos e liberais boicotaram o processo constitucional em protesto por disposições que consideram que enfraquecem os direitos humanos, especialmente os das mulheres, e abrem caminho a uma aplicação fundamentalista da lei islâmica.
Os Estados Unidos, que enviam anualmente para o exército egípcio cerca de 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 930 milhões de euros), pediram a Morsi que tente aproximar posições com a oposição, maioritariamente laica.
A crise política no Egito enfraqueceu consideravelmente a economia do país e o diário estatal Al-Ahram escreveu hoje que há "medo na rua egípcia" depois de a Standard & Poor`s ter baixado a notação do Egito para "B-".
Um empréstimo do Fundo Monetário Internacional de 4,8 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros), previsto para este mês ou janeiro, não deverá ser desbloqueado antes de o novo parlamento tomar posse, em março.
A instabilidade social no Egito limita a margem do Presidente para aplicar reformas impopulares, como o aumento dos impostos e o corte de subsídios que o FMI terá exigido para emprestar o dinheiro.