Mundo
20 anos depois. Crimes do Darfur julgados no Tribunal Penal Internacional
No que os ativistas dos Direitos Humanos consideram já como um marco histórico, está agendado no Tribunal Penal Internacional (TPI) o primeiro julgamento dos crimes do Darfur, 20 anos após as atrocidades que se estima terem feito mais de 300 mil vítimas naquela região do Sudão. Ali Muhammad Ali Abd-al-Rahman, alegado líder da milícia pró-governamental Janjaweed, é acusado de 31 crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Abd-al-Rahman, também conhecido por Ali Kushayb, nega todas as acusações.
“Em relação aos crimes que [Abd-al-Rahman] cometeu no Darfur, vi o que aconteceu com os meus próprios olhos. Atacou aldeias, queimou aldeias, matou pessoas, queimou pessoas, queimou crianças e as violações de mulheres e meninas”, declarou à BBC Adeeb Yousif, antigo governador no Darfur que esteve envolvido na investigação a este líder das milícias, o primeiro a sentar-se no banco dos réus por estes crimes. Ali Muhammad Ali Abd-al-Rahman é acusado pelo TPI de
ter levado a cabo, com as milícias sob o seu comando, de uma campanha
de violações, tortura, morte e pilhagem durante a crise que rebentou na
região do Darfur no início do século.
“[Abd-al-Rahman] é suspeito de ter implementado a estratégia de contra-insurgência do governo sudanês que resultou numa série de crimes de guerra e de crimes contra a Humanidade”, refere o TPI, acrescentando que “terá também recrutado combatentes armados e mantido a milícia Janjaweed sob o seu comando”.
Os ativistas dos Direitos Humanos sudaneses que lutaram pelo caso veem esta terça-feira em que está marcado o arranque do julgamento como um momento histórico em que as vítimas terão finalmente oportunidade de ver a justiça a ser feita.
“É um dia marcante para as vítimas e sobreviventes do Darfur que desistiram de lutar para ver o dia em que fosse quebrado o ciclo da impunidade”, declarou o advogado sudanês dos Direitos Humanos Mossaad Mohamed Ali.
“Esperamos que o julgamento de Abd-al-Rahman venha a esclarecer a sua responsabilidade pelos crimes horrendos, em particular os crimes sexuais por ele cometidos e pelas milícias Janjaweed apoiadas pelo governo e sob o seu comando”, acrescentou o ativista.
Primeiro a sentar-se no banco dos réus
Abd-al-Rahman, também conhecido por Ali Kushayb, será o primeiro acusado a enfrentar o TPI relativamente aos acontecimentos no Darfur, um conflito que fez mais de 300 mil mortos e deixou mais de dois milhões de pessoas sem casa. O conflito entre populações árabes e não-árabes eclodiu em 2003.
Em 2003, a maioria não-árabe pegou em armas numa revolta contra o governo, que acusava de discriminação. O governo retaliou mobilizando milícias árabes, conhecidas como Janjaweed, o que resultou numa onda de violência que seria alvo de fortes críticas pela comunidade internacional.
Centenas de aldeias foram queimadas e pilhadas, havendo acusações generalizadas de limpeza étnica contra a população civil.
Após 13 anos em fuga, Ali Muhammad Ali Abd-al-Rahman entregou-se ao TPI em 2020, continuando no entanto a negar todos os crimes: vai ser julgado pelos ataques contra civis em quatro cidades entre agosto de 2003 e março de 2004.
Inicialmente, numa apresentação prévia perante o tribunal, a sua defesa consistiu em dizer que havia sido vítima de uma troca de identidade, que as autoridades estavam a confundi-lo com outra pessoa, indicou a Reuters.
O TPI procura sentar também no banco dos réus Omar al-Bashir, mas o antigo presidente do país tem até agora conseguido evitar o tribunal. Bashir, que foi deposto num golpe de Estado em 2019, é procurado por crimes de guerra e genocídio.
“[Abd-al-Rahman] é suspeito de ter implementado a estratégia de contra-insurgência do governo sudanês que resultou numa série de crimes de guerra e de crimes contra a Humanidade”, refere o TPI, acrescentando que “terá também recrutado combatentes armados e mantido a milícia Janjaweed sob o seu comando”.
Os ativistas dos Direitos Humanos sudaneses que lutaram pelo caso veem esta terça-feira em que está marcado o arranque do julgamento como um momento histórico em que as vítimas terão finalmente oportunidade de ver a justiça a ser feita.
“É um dia marcante para as vítimas e sobreviventes do Darfur que desistiram de lutar para ver o dia em que fosse quebrado o ciclo da impunidade”, declarou o advogado sudanês dos Direitos Humanos Mossaad Mohamed Ali.
“Esperamos que o julgamento de Abd-al-Rahman venha a esclarecer a sua responsabilidade pelos crimes horrendos, em particular os crimes sexuais por ele cometidos e pelas milícias Janjaweed apoiadas pelo governo e sob o seu comando”, acrescentou o ativista.
Primeiro a sentar-se no banco dos réus
Abd-al-Rahman, também conhecido por Ali Kushayb, será o primeiro acusado a enfrentar o TPI relativamente aos acontecimentos no Darfur, um conflito que fez mais de 300 mil mortos e deixou mais de dois milhões de pessoas sem casa. O conflito entre populações árabes e não-árabes eclodiu em 2003.
Em 2003, a maioria não-árabe pegou em armas numa revolta contra o governo, que acusava de discriminação. O governo retaliou mobilizando milícias árabes, conhecidas como Janjaweed, o que resultou numa onda de violência que seria alvo de fortes críticas pela comunidade internacional.
Centenas de aldeias foram queimadas e pilhadas, havendo acusações generalizadas de limpeza étnica contra a população civil.
Após 13 anos em fuga, Ali Muhammad Ali Abd-al-Rahman entregou-se ao TPI em 2020, continuando no entanto a negar todos os crimes: vai ser julgado pelos ataques contra civis em quatro cidades entre agosto de 2003 e março de 2004.
Inicialmente, numa apresentação prévia perante o tribunal, a sua defesa consistiu em dizer que havia sido vítima de uma troca de identidade, que as autoridades estavam a confundi-lo com outra pessoa, indicou a Reuters.
O TPI procura sentar também no banco dos réus Omar al-Bashir, mas o antigo presidente do país tem até agora conseguido evitar o tribunal. Bashir, que foi deposto num golpe de Estado em 2019, é procurado por crimes de guerra e genocídio.