25 mil civis mortos no Iraque em 2 anos

Perto de 25.000 civis foram mortos desde o início da guerra no Iraque, em Março de 2003, um terço dos quais pela coligação liderada pelos Estados Unidos, segundo um estudo de dois organismos universitários hoje apresentado.

Agência LUSA /

"Em média, morreram 34 iraquianos comuns por dia", declarou em Londres o professor John Sloboda, director do Oxford Research Group e co-fundador do Iraqi Body Count (Contagem de Mortos no Iraque), uma base de dados pública criada em parceria com o Graduate Institute of International Studies, sedeado em Genebra, as duas entidades universitárias que conduziram o inquérito.

Duas grandes conclusões se retiram deste relatório: numa primeira fase, a da guerra propriamente dita, a maioria das pessoas foi morta pela coligação anglo-norte-americana no Iraque e, numa segunda fase, as mortes violentas foram causadas por outras acções - não as da coligação - que registaram um "aumento constante".

O número - divulgado quando perto de 150 pessoas morreram em atentados no Iraque desde sábado - é quatro vezes inferior aos 98.000 civis mortos estimados em Outubro de 2004 pela revista médica norte- americana The Lancet.

Esse inquérito anterior, realizado através de entrevistas, comparava os períodos antes e após a guerra e avançava um número de "mortes por condições adversas", não apenas por causas violentas mas também devido a pobreza, à falta de cuidados de saúde, etc.

A revista considerava que o risco de morte era 2,5 vezes maior após a invasão, uma taxa que aumentava 1,5 vezes se se excluísse o caso de Fallujah.

O relatório hoje divulgado sustenta que houve 37 por cento de civis mortos pela coligação, nove por cento vítimas da acção dos rebeldes contra a coligação, 11 por cento de mortes causadas por "agentes desconhecidos" com recurso a viaturas armadilhadas e a outros tipos de atentados extremistas e 36 por cento vítimas de um aumento "extraordinário" da violência criminosa.

Este último número abrange assaltos à mão armada, sequestros e ajustes de contas, mas também confrontos entre comunidades étnicas e religiosas, sem relação directa com a invasão.

Três em cada 10 mortos perderam a vida entre o início da guerra, a 20 de Março de 2003, e o final das "operações de grande envergadura", as principais operações de combate, anunciado 10 semanas depois, a 01 de Maio, pelo presidente norte-americano, George W. Bush.

Durante este período, quase todos os civis iraquianos mortos foram-no pela coligação e, de entre as vítimas dos aliados, 98,5 por cento morreram debaixo de fogo do exército norte-americano.

O relatório mostra, em seguida, o "crescimento constante" do número de mortes causadas a partir de 02 de Maio de 2003 pelas forças anti-ocupação, criminosas ou classificadas como "agentes desconhecidos".

Após a intervenção militar, o número de mortos registados foi de 6.215 durante o primeiro ano de ocupação e de 11.351 no segundo ano, à medida que os rebeldes se tornavam mais activos e o exército norte- americano lançava ofensivas contra o bastião de Fallujah (1.874 civis mortos).

O inquérito baseia-se na análise de mais de 10.000 artigos de imprensa, um grande número dos quais redigido por jornalistas iraquianos, que têm como fontes os funcionários das morgues e médicos no terreno.

Sloboda não apresenta o estudo como uma contagem exaustiva dos civis mortos no Iraque, mas como "a base absolutamente sólida" do número mínimo das mortes violentas.

O Iraqi Body Count explica o seu método de contagem na sua página da Internet: a base de dados é actualizada após a localização do morto e a confirmação da morte por pelo menos duas fontes.

Um outro relatório divulgado na semana passada por uma organização humanitária iraquiana, a Iraqiyun Humanitarian Organization in Baghdad, afirma que 128.000 iraquianos morreram desde o início da ofensiva militar norte-americana, não distinguindo entre civis, militares, rebeldes ou outros.

O balanço inclui todos os cidadãos iraquianos mortos desde Março de 2003 e precisa ainda que 55 por cento eram mulheres e crianças com 12 anos ou menos, segundo o director da organização, Hatim al-Alwani, citado pelo World Peace Herald.

De acordo com o relatório, a Iraqiyun obteve os dados através de familiares dos mortos, bem como nos hospitais iraquianos de todas as províncias do país, incluindo-se apenas neste total de 128.000 as vítimas cujas famílias foram informadas da sua morte e não pessoas sequestradas, assassinadas ou que simplesmente desapareceram.

Segundo a Iraqiyun, o número 128.000 abrange igualmente os iraquianos mortos durante as ofensivas norte-americanas a Fallujah e al-Qa+im, números que divergem dos do Iraqi Body Count, que indica que morreram 39.000 iraquianos em consequência directa de combates ou de violência armada desde Março de 2003.

Por sua vez, o Pentágono nunca divulgou qualquer estimativa oficial de baixas iraquianas da guerra, insistindo em que não faz "Body Count [contagem de corpos]".

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