500 mil palestinianos vão ficar sem ajuda por falta de recursos do PAM

500 mil palestinianos vão ficar sem ajuda por falta de recursos do PAM

O Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou hoje que vai precisar de reduzir as suas operações humanitárias na Faixa de Gaza por falta de recursos, deixando mensalmente 500 mil palestinianos sem ajuda.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A organização fez ainda um apelo, através de um comunicado, para que o mundo não "desvie o olhar" do enclave devastado pela guerra.

"As famílias (...) vivem em condições humanitárias extremamente difíceis", apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo há um ano, declarou à agência de notícias AFP Shaun Hughes, diretor do PAM nos territórios palestinianos.

A ofensiva israelita no enclave palestiniano teve início após o ataque do grupo islamista palestiniano Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023.

Cerca de 1,4 milhões de pessoas, de um total de 2,1 milhões de habitantes, "encontram-se ainda numa situação de insegurança alimentar aguda e necessitam de ajuda humanitária para sobreviver", afirmou Hughes, falando a partir dos escritórios da agência da ONU em Beit Hanina, um bairro de Jerusalém Oriental.

Em agosto de 2025, a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês) --- um mecanismo de avaliação da ONU - declarou o estado de fome em Gaza. Israel, por sua vez, classificou esta afirmação como "mentira".

Em dezembro, as Nações Unidas anunciaram que o território já não era considerado como estando em situação de fome, graças ao cessar-fogo estabelecido dois meses antes e ao aumento no fluxo de ajuda humanitária.

Desde então, o PAM tem prestado, a cada mês, "ajuda a cerca de 1,6 milhões de pessoas sob a forma de cabazes alimentares, farinha de trigo, pão, refeições quentes, apoio nutricional, lanches escolares e assistência em dinheiro", detalhou a organização num comunicado.

No entanto, a falta de financiamento impede, agora, a manutenção deste "nível de apoio".

O PAM afirma estar "forçado" a reduzir a sua ajuda alimentar em "cerca de um terço", lamentando que "meio milhão de pessoas percam o acesso a uma ajuda essencial".

"Estas são as escolhas que precisamos de fazer para garantir que os nossos recursos beneficiam as pessoas mais vulneráveis e durem o maior tempo possível", explicou Hughes.

A partir de agora, 1,1 milhões de palestinianos , entre os mais vulneráveis, receberão ajuda alimentar e financeira mensalmente, em comparação com 1,6 milhões anteriormente.

Além desta redução do número de beneficiários, o PAM informou que também necessitará de reduzir para metade as rações distribuídas.

As transferências em dinheiro, destinadas a permitir aos residentes comprar alimentos no comércio local, também foram reduzidas.

Para 2026, a agência referiu ter recebido menos de metade do financiamento destinado às suas operações nos territórios palestinianos em comparação com os anos anteriores e estimou necessitar de "450 milhões de dólares" [cerca de 400 milhões de euros] para manter as suas atividades em Gaza e na Cisjordânia ocupada durante os próximos seis meses.

No início de setembro, a agência já tinha reduzido para metade o número de beneficiários da sua assistência na Cisjordânia --- território ocupado por Israel desde 1967 ---, passando de 400 mil para 200 mil pessoas.

O PAM alertou ainda para o momento em que ocorrem estes cortes, que "acontecem na véspera do inverno, numa altura em que as modestas melhorias observadas recentemente na segurança alimentar continuam frágeis".

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