60 anos depois.... lembrar Auschwitz
Auschwitz-Birkenau, um campo de concentração construído pelos nazis na Polónia durante a segunda guerra mundial, funcionou, entre 1940 e 1945, como uma fábrica de extermínio em massa, responsável pelo desaparecimento de mais de um milhão de pessoas.
Não era o único campo de extermínio nazi, mas tornou-se na principal "fábrica de morte" do regime de Adolf Hitler.
De 1940 a 1945 morreram nele entre 1,5 e dois milhões de homens, mulheres e crianças, na maioria judeus, de diversos países europeus ocupados pelos nazis.
Foram igualmente exterminados 85.000 polacos não judeus, 20.000 ciganos, 15.000 soviéticos e 12.000 outras pessoas "marcadas" pelo ódio nazi.
Inicialmente confinado a 20 barracas abandonadas do exército polaco, o campo, erguido na fronteira da cidade de Oswiecim - rebaptizada pelos nazis de Auschwitz - era, no início, destinado a "aterrorizar os polacos", indicou o historiador e conservador do museu de Auschwitz, Miroslaw Obstarczyck.
Progressivamente, transformou-se numa reserva de mão-de-obra para a indústria de guerra alemã onde os prisioneiros eram tratados como escravos.
A partir de 1941, a "zona de terror" desenvolvida pelos nazis incluiu a aldeia de Brzezinka - Birkenau, na Alemanha - situada a três quilómetros de Auschwitz, onde foram instaladas câmaras de gás ligadas a fornos crematórios.
Na Primavera de 1942, o campo foi transformado numa imensa fábrica da morte e em 1943 Birkenau estava totalmente operacional.
Milhares de comboios vindos de toda a Europa confluíam para campos de extermínio, nomeadamente para Auschwitz-Birkenau, isolado, mas acessível por caminhos-de-ferro.
A "máquina de morte" - gás e fornos crematórios de Birkenau -, foi concebida com extrema eficácia: os condenados eram enviados para um "vestiário" situado no subsolo para se despirem.
De seguida, eram empurrados e fechados numa segunda sala para "tomar banho", segundo a versão oficial. No "duche" era utilizado o gás mortal Zyklon B: entre cinco e sete quilogramas para eliminar 2.000 pessoas em 20 minutos.
Entre 1943 e 1945, foram utilizados cerca de 20.000 quilogramas de Zyklon B.
Os corpos, transportados de seguida em ascensores especiais para os fornos crematórios, eram submetidos a uma última inspecção para extrair os dentes de ouro.
"Tudo era reutilizado. Havia extermínio em massa e selecção e verificação minuciosa dos cadáveres", explicou Miroslaw Obstarczyck Os bens dos judeus eram desinfectados e enviados para a Alemanha. Os cabelos das mulheres serviam para o fabrico de meias ou tecidos, os dentes de ouro dos mortos eram fundidos e os esqueletos destinados à investigação científica.
Com a aproximação da ofensiva soviética, em Novembro de 1944, a polícia secreta nazi - SS - começou a dinamitar as câmaras de gás e os fornos crematórios numa tentativa de suprimir qualquer traço de genocídio. Mas o rasto do horror era demasiado profundo para ser apagado completamente.
Aquando da libertação do campo, a 27 de Janeiro de 1945, o Exército Vermelho encontrou restos de construções macabras nunca antes vistas na história da humanidade.
Entre Janeiro e Maio de 1945, os aliados libertaram mais de 200 campos de concentração, revelando ao mundo imagens intoleráveis do inferno vivido nos campos de concentração hitlerianos.