A África do Sul comemora a libertação do pai da reconciliação nacional
Há precisamente vinte anos atrás, Nelson Mandela ela libertado da prisão de Victor Verster por decisão de Frederik de Klerk, ultimo líder do regime branco na África do Sul. A sua libertação pressagiou e levou à queda do Apartheid e à instauração de um regime multiracial.
"Nem todos os países têm um Nelson Mandela, fomos abençoados" acrescentou o arcebispo laureado com o Prémio Nobel da Paz, Desmond Tutu.
Um regime apodrecido internamente, condenado no exterior pela segregação racial, com um governo que perdera o controle de uma situação explosiva com a comunidade negra a rebelar-se contra um regime que a oprimia, encontrou em Nelson Mandela, o líder histórico do ANC, movimento que liderava a revolta contra o regime branco, o interlocutor privilegiado para a transição.
Transferido para um centro correccional de Victor Verster, em Paarl, na província do Cabo, Mandiba, como era conhecido entre os membros do clã do Transkei, manteve durante dezoito meses conversações secretas com enviados do regime segregacionista que conduziram à sua libertação no dia 11 de Fevereiro de 1990.
Uma multidão concentrada à saída da prisão bem como todo o mundo pelas câmaras de televisão, viu o líder histórico do ANC sair das instalações prisionais de mão dada com a então mulher, Winnie Mandela, e dar os seus primeiros passos em liberdade
A Nelson Mandela coube ser o primeiro Presidente negro da África do Sul e conduzir o primeiro governo que instaurou a nova África do Sul, um país que quis fosse tanto dos negros como dos brancos irmanados num espírito de união em torno de um projecto único e comum a todos os nascidos na antiga colónia da Grã-Bretanha.
"Dediquei a minha vida ao pleito do povo africano. Lutei contra o domínio branco e lutei contra o domínio negro", dizia Nelson Mandela já no longínquo ano de 1964.
Preso durante 27 anos, segregado durante outros tantos, Nelson Mandela saiu da prisão sem rancor no seu coração e sem ódios na sua cabeça, facto que lhe valeu a admiração e o tornou símbolo do perdão e da reconciliação e a veneração em todo o mundo.
A África do Sul está hoje em festa. Frente à prisão de Victor Verster, em Paarl, onde uma estátua de bronze relembra a presença do prisioneiro mais célebre do mundo e tornada monumento histórico, políticos e veteranos da luta anti-Apartheid reuniram-se num pequeno - almoço numa tenda montada especialmente para a ocasião.
Ponto alto dos festejos será a marcha conduzida por Winnie Mandela, antiga mulher do primeiro Presidente negro da África do Sul, com ponto de partida marcado para os portões da última prisão que separava Nelson Mandela do seu destino.
Vinte anos depois nem tudo são rosas naquele país africano. Muito desemprego, muita desilusão, muitos problemas. Mas isso é outra história que aqui não cabe. Nelson Mandela, com uma saúde frágil que impede que saia muitas vezes à rua e apareça ao seu povo tantas vezes como certamente gostaria, tem dedicado os seus últimos anos e esforços na luta contra a SIDA em memória do seu único filho falecido há cinco anos vítima dessa trágica doença.
Não deixará, no entanto, de assinalar os vinte anos da sua libertação com uma fugaz passagem pelo Parlamento sul-africano, outrora símbolo do poder branco, agora a casa do povo.