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COVID-19
A era da pandemia. Quais são as tendências de pesquisa na Internet?
Há semanas em isolamento, por causa das medidas de contenção da Covid-19, a Internet tem sido a janela da maioria das pessoas para o mundo exterior, para fora de casa. Mas em tempos de pandemia, quais são os temas mais populares nos motores de busca?
Numa altura em que a maior parte dos países suspendeu atividades e o quotidiano das sociedades para combater a infeção do novo coronavírus, é espectável que as questões sobre a Covid-19 dominem as tendências dos motores de busca. Mas, segundo a Google, os tópicos em destaque nas pesquisas das últimas semanas revelam, não só os medos das pessoas sobre esta nova doença e da solidão, como também os novos interesses e algumas mudanças de hábitos, devido ao confinamento.
À medida que a Covid-19 foi progredindo, as pesquisas sobre a doença, os sintomas e os métodos de preveção e proteção também aumentaram.
Em Portugal, o tema do coronavírus começou a evoluir no fim do mês de fevereiro - quando a Europa passava a ser o epicentro do surto - e atingiu a popularidade nas tendências em meados de março - quando Portugal já tinha casos identificados e a Organização Mundial de Saúde declarava a Covid-19 como uma pandemia.
O editor de dados do maior motor de busca, Simon Rogers, considera que as tendências de pesquisa revelam os interesses gerais "além do eco dos media". "Nunca somos tão honestos como somos nos motores de busca", afirmou em entrevista à Vox.
Mas o que é que as pessoas têm curiosidade de saber em tempos de Covid-19?
Há duas tendências principais: questões sobre o novo coronavírus e questões sobre as consequências da pandemia e do isolamento.
Perguntas sobre "já há vacina?", "que medicamento funciona?" e "quais são os sintomas", são as mais frequentes nas últimas semanas, esclarece o editor da Google. No nosso país, um dos temas que tem sido mais pesquisado, nos últimos dias, é o medicamento antiviral Remdesivir e os resultados na Covid-19.
E há ainda questões relacionadas com a solidão ou estados emocionais em consequência do confinamento em que grande parte da populaçao se encontra.
"Há coisas preocupantes para a sociedade, como o aumento nas pesquisas por "solidão", pessoas que procuram por "ter problemas para dormir", ou "depressão"", lamentou Simon Rogers.
Mais tempo em casa e formas de "expandir conhecimentos"
Mas em confinamento, sem a normalidade que conhecemos e num mundo dominado por uma doença, começaram a surgir outras temáticas no pódio da popularidade do Google Trends, nas últimas semanas. De acordo com os dados, as pessoas têm procurado mudar as rotinas e aprender a adaptar os seus hábitos quotidianos à nova realidade em que vivem, devido à pandemia.
Há quem pesquise vídeos para aprender a cortar o cabelo em casa, visto que os cabeleireiros estiveram encerrados, há quem pesquise receitas de pão e até quem pergunte à Google "como manter as crianças entretidas em casa?".
"São todas as coisas que fazemos durante o dia, e não em casa com frequência. Eu acho que é, em parte, porque as pessoas querem expandir os seus conhecimentos sobre alguma coisa", explicou Simon Rogers. "São coisas assim que são incomuns, não são necessariamente coisas que faríamos se não tivessemos tempo em casa e não estivessemos a pensar em como mudar um pouco alguma coisa".
Embora a maioria da população mundial esteja condicionada pelas medidas de combate à pandemia, as pesquisas sobre formas de ajuda, de doar alimentos ou de se voluntariar também aumentaram exponencialmente.
"É bom saber que estamos a pensar nos outros, neste momento".
Contudo, os dados da Google revelam que as pessoas não usam a Internet apenas para ocupar o tempo ou encontrar novas formas de se entreter em casa durante a pandemia. As pessoas estão a tentar estar informadas e procuram informação confiável.
Simon Rogers assegura que lhe suscitou a atenção o "pico de pesquisas" em páginas de organizações ou até de governos, páginas que as pessoas consideram de confiança.
Um dos pontos altos das pesquisas, a nível mundial, foi a questão "Quem criou o coronavírus?", depois de surgir a teoria e os ataques mútuos entre os EUA e a China.
"O facto de as pessoas estarem a pesquisar é realmente positivo, porque significa que queremos saber se é verdade ou não".
"Acho que as pessoas precisam de pensar em informações com o mesmo cuidado que pensam em qualquer aspeto das suas vidas. Se estão a consumir informação, querem que seja confiável. Apenas pensar nas informações como uma recurso valioso já é realmente importante", concluiu.