A Europa foi demasiado longe no processo de desmilitarização - Gates
Woodstock, Reino Unido, 20 Set (Lusa) - O secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, considerou sexta-feira que a Europa avançou demasiado no seu processo de desmilitarização, apelando-a a reconstituir a sua defesa num período de incerteza sobre as intenções da Rússia.
Num discurso efectuado no palácio de Blenheim, local onde nasceu o antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill, situado em Woodstock, no condado de Oxfordshire, Gates pediu uma mistura de determinação e de moderação nas relações com a Rússia.
"Um dos triunfos do último século foi a pacificação da Europa após séculos de guerras ruinosas e sangrentas", afirmou Robert Gates, perante uma plateia de peritos em política externa.
"Mas penso que atingimos um ponto de inflexão, já que grande parte do continente foi demasiado longe na outra direcção", acrescentou.
"Efectivamente, a desmilitarização tornou-se um obstáculo potencial na busca de uma paz real e duradoura, porque a fraqueza, real ou aparente, é sempre uma fonte de tentação para maus cálculos e agressões", considerou.
Na sua visita ao Reino Unido, Gates assistiu em Londres a uma reunião informal dos ministros da Defesa da NATO, nomeadamente consagrada ao conflito russo-georgiano.
"Devemos ser prudentes com os compromissos que assumimos, mas devemos estar também preparados para respeitar os compromissos que assumimos no passado", afirmou Gates, referindo-se às perspectivas de adesão da Geórgia à NATO, que dividem a Aliança Atlântica.
O secretário norte-americano da Defesa referiu igualmente que apenas cinco dos 26 membros da NATO consagram dois por cento do seu PIB à defesa.
A NATO "tem dificuldades para reunir mais alguns milhares de homens e algumas dezenas de helicópteros" para o Afeganistão, lamentou.
Segundo Gates, os ocidentais devem, prudentemente, esforçar-se por "modelar o ambiente internacional e as escolhas das outras potências", evitando uma situação em que subsistam apenas duas escolhas, "o confronto ou a capitulação".
Isso aplica-se à Rússia, mas também ao Irão, referiu.
LMP.