A guerra está aberta entre a Microsoft e o Google

A Microsoft declarou hoje a guerra ao Google, acusando-o de pirataria sistemática numa altura em que os dois grupos se enfrentam agora no sector informático de prestação de serviços para as empresas, até aqui terreno da Microsoft.

Agência LUSA /

"Google tenta tudo por tudo onde pode para contornar os limites da lei sobre os direitos de autor", declarou hoje o principal conselheiro jurídico do g rupo sobre estas questões, Thomas Rubin, num artigo de opinião publicada no Fina ncial Times.

Criticou tanto o projecto de Google de digitalizar os livros das biblio tecas do mundo inteiro, que, segundo ele, só aproveitará ao Google e não aos edi tores e autores, como o site de vídeos YouTube, comprado pela Google e que é cen surado por divulgar extractos de emissões televisivas piratas.

A Microsoft ataca assim um dos pontos fracos do Google, que é alvo de q ueixas na justiça em virtude da biblioteca digitalizada e dos seus sites de proc ura de informações.

A Agência France Presse interpôs uma acção judicial contra o Google, ac usando-o de ter infringido as leis de protecção do "copyright" ao utilizar sem o seu acordo fotos e textos de informação.

É uma declaração de guerra após vários anos de rivalidade silenciosa, o nde cada um cobiçava o domínio reservado do outro: motor de busca e publicidade em linha para o Google, sistemas operativos pagos para a Microsoft. Um reina em 90 por cento dos PC mundiais, o outro domina a investigação e a publicidade na I nternet em todo o mundo.

Foi de facto o Google que desencadeou as hostilidades há duas semanas a o lançar Google Apps, um pacote de aplicações dirigido a empresas, que serão exe cutadas em rede e podem ser integradas na estrutura da empresa, em alternativa a o Office 2007 da Microsoft, a um preço irrisório (50 dólares).

Este "pack", que reúne entre outros a agenda, correio electrónico, trat amento de texto, serviço de mensagens instantâneas e conversação de voz por Inte rnet através do Internet Google Talk e a função Start Page para criar uma página inicial personalizada num domínio específico, integração nos sistemas da empres a e hotline permanente, faz concorrência frontal e aberta ao Office, que represe nta mais de um terço das vendas e dos lucros da Microsoft.

"É o desafio mais substancial contra a Microsoft desde há dez anos", re sumiu o analista da AMR Research Jim Murphy.

É verdade que desde há dois anos os dois grupos se tornaram pouco a pou co rivais em todas as frentes: sistemas operativos, audiência na Internet, publi cidade, bases de dados, motor de busca e finalmente imagem, cada um a querer apa recer como o mais virtuoso junto dos internautas.

E assim a Microsoft modernizou totalmente o seu motor de busca Live Sea rch e desenvolveu Adcenter, um sistema de gestão de publicidades ligadas às pala vras-cheve, que concorre com o Google na sua principal fonte de rendimentos. A M icrosoft promove o seu motor através do seu novo sistema de exploração, Vista.

Por seu lado, Google lançou nos últimos meses sistemas informáticos em linha, financiados pela publicidade: calendário, tratamento de texto. Acaba de r eforçar o serviço de correio electrónico Gmail, disponível desde há semanas, gra nde concorrente do Hotmail da Microsoft.

Microsoft lançou alguns balões de ensaio no domínio das aplicações grat uitas, com o Office Live, um software para aplicações na Web.

Os dois grupos visam também os mercados emergentes dos telemóveis. Wind ows apoia-se no sistema operativo Windows Mobile e Google propõe versões para o telemóvel dos seus serviços Internet.

Sinal desta rivalidade, o director executivo de Google Eric Schmidt, qu e entrou no conselho de administração da Apple, declarou esta semana que o seu g rupo trabalhava cada vez mais com a Apple com a qual tem "os mesmos objectivos e os mesmos concorrentes".

Todavia, para a analista do gabinete Infotech, Carmi Levy, os dois grup os são igualmente culpados. "Microsoft faz o que acusa o Google de fazer. Os doi s brincam com os direitos de propriedade intelectual. Microsoft acusa Google hoj e, amanhã será o inverso, e durante este tempo os proprietários de conteúdos perdem".

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