A longa experiência de Malta na crise migratória

"Catedrática" no que se refere ao acolhimento de refugiados, a pequena ilha mediterrânica alerta para a urgência de solidariedade europeia perante um fenómeno de migração que está em constante mudança.

Raquel Morão Lopes /

Foto: Reuters/Alkis Konstantinidis

O Comissário de Malta para os Refugiados, Mario Guido Friggieri, nomeado em 2007, recorda os constantes alertas do país para o problema dos refugiados ao longo dos tempos. Só com a crise recente está a ser dada maior importância, a nível europeu, ao problema.

Durante o ano de 2014, o pequeno território de Malta foi o segundo país da União Europeia (a seguir à Suécia) que mais refugiados acolheu: 306 por cada 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia desta proporção, refira-se que em Portugal a média de acolhimento no ano passado foi de 0.38 por cada 100 mil.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações, cerca de 800.000 migrantes chegaram à Europa, por mar, este ano. O território grego, especialmente em torno de Lesbos, juntamente com a Turquia, são os pontos de afluência mais concorridos.

"É urgente que a solidariedade europeia comece a dar resultados", clama Friggieri, nesta conversa com a correspondente da Antena1 em Bruxelas, lembrando que, ao longo dos tempos, o fenómeno da migração mudou muito: em três anos, passou-se de uma situação em que 94% dos requerentes de asilo chegavam de barco, principalmente originários da Líbia. Este ano, apenas 106 pessoas entraram em Malta nessas circunstâncias. As restantes 1154 chegaram pelos próprios meios, de avião, com passaporte nas mãos.


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