A vida de "Cano", o antropólogo e líder das FARC abatido na sexta-feira

Lisboa, 05 nov (Lusa) - O líder das FARC "Alfonso Cano" abatido na sexta-feira era um intelectual de classe média que chegou a líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia após a morte do seu lendário co-fundador, "Sureshot" Murulanda, em 1990.

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"Cano", de 63 anos, cujo verdadeiro nome era Guillermo Saenz Vargas, estudou antropologia na Universidade Nacional de Bogotá antes de entrar na Juventude Comunista, e ter-se-à juntado às FARC na década de 1970.

Começou por liderar as negociações de paz com o governo colombiano, realizada em Caracas (Venezuela) em 1991 e em Tlaxcala (México) em 1992.

Em 2000, durante uma nova tentativa de negociações de paz, tornou-se responsável pelo braço clandestino das FARC.

A forma discreta que manteve durante as longas negociações entre 1998 e 2002 criaram a imagem de um homem que raramente aparecia em público porque acreditava que se falasse as negociações seriam um fracasso.

Durante as negociações, "Cano" concedia entrevistas à imprensa sempre vestido de camuflado, armado com uma pistola e sentado frente a um grande retrato do líder das independências latino-americanas, Simon Bolívar.

Pouco se sabe sobre a vida privada de "Cano", além de ter nascido em Bogotá, a 22 de julho de 1948, numa família de classe média. O pai era um engenheiro agrónomo e a mãe uma professora. Até agora nunca foi confirmado se teria mulher ou filhos. Sabe-se apenas que era visto frequentemente nas conversações de paz com uma guerrilheira chamada Lucero.

Quando o co-fundador das FARC e antigo líder Manuel "Sureshot" Marulanda morreu de um ataque cardíaco em 26 de março de 2008, "Cano" foi nomeado comandante do exército guerrilheiro.

Depois de assumir o controle das FARC em 2008, "Cano" anunciou que os rebeldes estavam prontos para as conversações de paz.

Em junho deste ano, em entrevista ao jornal espanhol Publico, Cano disse que "o confronto na Colômbia foi por muito tempo."

"Cano", morto esta sexta-feira aos 63 anos de idade, na sequência da Operação Odisseia, em Cauca pelas forças governamentais, tinha 12 condenações e 142 mandados de prisão pendentes por crimes de homicídio, sequestro e rebelião.

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