Mundo
COVID-19
"Abandonaram-no como lixo". Lares nos EUA acusados de expulsar idosos
Várias famílias norte-americanas têm vindo a acusar lares de expulsarem os idosos mais vulneráveis e com deficiências, enviando-os para centros de acolhimento de sem-abrigo ou motéis degradados. O objetivo é garantir a disponibilização de camas para pacientes mais lucrativos: os infetados com Covid-19.
Por todo o mundo, os lares e centros de acolhimento foram os principais e mais preocupantes focos de infeção por Covid-19, causando a morte de milhões de idosos.
No entanto, mesmo tendo enfrentado uma situação devastadora, os lares nos EUA estão a ser recrutados para ajudar na resposta à pandemia. Estas instituições estão a receber pacientes infetados pelo novo coronavírus, de forma a aliviar a pressão nos hospitais que se encontram sobrelotados.
Pelo menos em 16 Estados norte-americanos foram recebidas queixas relativamente a lares que estão a excluir os residentes mais velhos e com deficiências – os mais vulneráveis à Covid-19 – e a colocá-los em centros de acolhimento a sem-abrigo, motéis degradados e outras instalações inseguras. Muitas vezes, estas instituições abandonam os idosos sem darem qualquer conhecimento à família.
Foi o caso de RC Kendrick, de 88 anos, que foi encontrado desorientado a vaguear pelo bairro de Koreatown, em Los Angeles, depois de ter sido abandonado numa pensão. Kendrick sofre de demência e era residente do lar Lakeview Terrace, que tem um histórico de expulsões ilegais de residentes.
De acordo com o jornal The New York Times, três funcionários deste lar revelaram que receberam ordens por parte da administração para expulsar os residentes menos lucrativos de forma a dar lugar a pacientes que gerariam mais receita: pacientes com Covid-19.
Doentes com Covid-19 representam um lucro de 600 dólares
Estes programas de saúde social estatais alteraram a fórmula de reembolso nos lares de idosos, tornado mais lucrativo o acolhimento de pacientes com doenças mais graves por um curto período de tempo. Isto significa que os doentes com Covid-19 podem traduzir-se num aumento da receita em 600 dólares por dia em comparação com pacientes com doenças menos graves.
Por este motivo, o acolhimento de pacientes com Covid-19 rapidamente foi visto como uma oportunidade para compensar a perda económica provocada pela pandemia. Para além de idosos, muitos destes centros acolhem também pessoas de outras idades por diversos motivos. Um dos negócios mais lucrativos para estas instituições consiste, precisamente, na reabilitação pós-cirurgia, uma atividade que ficou suspensa depois de o Governo norte-americano ter impedido os hospitais de prestarem serviços não-essenciais.
Muitas das expulsões incorrem em violações das regras do Governo norte-americano, que decretam que os lares de idosos devem colocar os residentes em locais seguros e fornecer-lhes um aviso prévio de pelo menos 30 dias antes de os forçar a sair.
Alguns dos lares recusam, no entanto, estarem a expulsar residentes em troca de dinheiro. Funcionários destas instituições explicam que aceitaram receber pacientes infetados pelo novo coronavírus para aliviar a pressão dos hospitais e que temiam colocar em risco os idosos mais vulneráveis.
“Abandonaram-no como lixo”
O caso de Kendrick, de 88 anos, remonta a 6 de abril. O idoso foi expulso do Lakeview Terrace e abandonado numa pensão a 32 quilómetros de distância. No dia seguinte, a polícia local entrou em contacto com um familiar a informar que Kendrick se encontrava a vaguear sozinho pela rua.
“Eles simplesmente o abandonaram como lixo”, disse Kennedy, sobrinho de Kendrick.
David Weaver, administrador do Lakeview Terrace, não quis revelar a The New York Times as razões que levaram Kendrick a ser obrigado a desocupar o lar, mas disse que todas as expulsões eram “clinicamente apropriadas”.
Weaver recusa que a transferência de 16 residentes daquele lar desde março tenha sido feita com o fim de acolher pacientes com Covid-19, adiantando mesmo que não recebeu nenhum infetado naquela residência. De acordo com uma pesquisa do The New York Times, mais de 6.400 idosos foram expulsos de lares desde o início da pandemia, sendo que a grande maioria foi colocada em centros de acolhimento para sem-abrigo.
“Estamos a lidar com expulsões inseguras, seja para centros de acolhimento de sem-abrigo ou para instalações sem licença, diariamente, e a Covid-19 veio tornar tudo isto mais urgente”, disse Molly Davies, provedora de Los Angeles.
Na cidade de Nova Iorque, epicentro da pandemia nos EUA, os lares de idosos tentaram expulsar pelo menos 27 residentes, de acordo com os dados oficiais. No entanto, estes números são apenas “a ponta do iceberg”, segundo defende Susan Dooha, diretora executiva do Centro de Independência para Pessoas com Deficiência.
Os EUA são o país mais afetado pela pandemia. Nas últimas 24 horas, o país registou 568 mortes, elevando para 119.796 o número de óbitos desde o início da epidemia. Registaram-se nos últimos meses mais de dois milhões de infetados.
No entanto, mesmo tendo enfrentado uma situação devastadora, os lares nos EUA estão a ser recrutados para ajudar na resposta à pandemia. Estas instituições estão a receber pacientes infetados pelo novo coronavírus, de forma a aliviar a pressão nos hospitais que se encontram sobrelotados.
A função designada a estas instituições levantou, porém, uma nova polémica: lares por todo o país estão a ser acusados de expulsar idosos para receber infetados. Mais de 51 mil residentes e funcionários de lares morreram desde o início da pandemia, representando mais de 40 por cento do total de mortos nos Estado Unidos.
Foi o caso de RC Kendrick, de 88 anos, que foi encontrado desorientado a vaguear pelo bairro de Koreatown, em Los Angeles, depois de ter sido abandonado numa pensão. Kendrick sofre de demência e era residente do lar Lakeview Terrace, que tem um histórico de expulsões ilegais de residentes.
De acordo com o jornal The New York Times, três funcionários deste lar revelaram que receberam ordens por parte da administração para expulsar os residentes menos lucrativos de forma a dar lugar a pacientes que gerariam mais receita: pacientes com Covid-19.
Doentes com Covid-19 representam um lucro de 600 dólares
O problema de rejeição de residentes em favor daqueles que se traduzem mais rentáveis não é de agora, apenas foi intensificado pela pandemia. Mais de 10 mil residentes e as suas famílias reclamaram terem sido expulsos destas instituições em 2018.
Tal como explica o jornal norte-americano, os lares de idosos há muito que recebem um incentivo financeiro para expulsar os pacientes do Medicaid – o seguro que cobre a população com salários baixos – em detrimento daqueles que pagam através de seguros privados ou da Medicare – o programa que cobre pessoas com deficiência, independentemente do salário –, uma vez que reembolsam as instituições a uma taxa muito mais elevada.
Estes programas de saúde social estatais alteraram a fórmula de reembolso nos lares de idosos, tornado mais lucrativo o acolhimento de pacientes com doenças mais graves por um curto período de tempo. Isto significa que os doentes com Covid-19 podem traduzir-se num aumento da receita em 600 dólares por dia em comparação com pacientes com doenças menos graves.
Por este motivo, o acolhimento de pacientes com Covid-19 rapidamente foi visto como uma oportunidade para compensar a perda económica provocada pela pandemia. Para além de idosos, muitos destes centros acolhem também pessoas de outras idades por diversos motivos. Um dos negócios mais lucrativos para estas instituições consiste, precisamente, na reabilitação pós-cirurgia, uma atividade que ficou suspensa depois de o Governo norte-americano ter impedido os hospitais de prestarem serviços não-essenciais.
Muitas das expulsões incorrem em violações das regras do Governo norte-americano, que decretam que os lares de idosos devem colocar os residentes em locais seguros e fornecer-lhes um aviso prévio de pelo menos 30 dias antes de os forçar a sair.
Alguns dos lares recusam, no entanto, estarem a expulsar residentes em troca de dinheiro. Funcionários destas instituições explicam que aceitaram receber pacientes infetados pelo novo coronavírus para aliviar a pressão dos hospitais e que temiam colocar em risco os idosos mais vulneráveis.
“Abandonaram-no como lixo”
O caso de Kendrick, de 88 anos, remonta a 6 de abril. O idoso foi expulso do Lakeview Terrace e abandonado numa pensão a 32 quilómetros de distância. No dia seguinte, a polícia local entrou em contacto com um familiar a informar que Kendrick se encontrava a vaguear sozinho pela rua.
“Eles simplesmente o abandonaram como lixo”, disse Kennedy, sobrinho de Kendrick.
David Weaver, administrador do Lakeview Terrace, não quis revelar a The New York Times as razões que levaram Kendrick a ser obrigado a desocupar o lar, mas disse que todas as expulsões eram “clinicamente apropriadas”.
Weaver recusa que a transferência de 16 residentes daquele lar desde março tenha sido feita com o fim de acolher pacientes com Covid-19, adiantando mesmo que não recebeu nenhum infetado naquela residência. De acordo com uma pesquisa do The New York Times, mais de 6.400 idosos foram expulsos de lares desde o início da pandemia, sendo que a grande maioria foi colocada em centros de acolhimento para sem-abrigo.
“Estamos a lidar com expulsões inseguras, seja para centros de acolhimento de sem-abrigo ou para instalações sem licença, diariamente, e a Covid-19 veio tornar tudo isto mais urgente”, disse Molly Davies, provedora de Los Angeles.
Na cidade de Nova Iorque, epicentro da pandemia nos EUA, os lares de idosos tentaram expulsar pelo menos 27 residentes, de acordo com os dados oficiais. No entanto, estes números são apenas “a ponta do iceberg”, segundo defende Susan Dooha, diretora executiva do Centro de Independência para Pessoas com Deficiência.
Os EUA são o país mais afetado pela pandemia. Nas últimas 24 horas, o país registou 568 mortes, elevando para 119.796 o número de óbitos desde o início da epidemia. Registaram-se nos últimos meses mais de dois milhões de infetados.